Maternidade pública de João Pessoa destaca a importância do leite humano como proteção contra vírus como VSR e Influenza, e o trabalho do Banco de Leite para auxiliar mães e recém-nascidos

O aleitamento materno exclusivo nos primeiros seis meses de vida é uma das principais formas de proteção à saúde dos bebês, especialmente contra doenças respiratórias. No Instituto Cândida Vargas (ICV), administrado pela Prefeitura de João Pessoa, o incentivo à amamentação integra as ações prioritárias de cuidado com mães e recém-nascidos. A informação, adaptada pela Rádio Salgado FM, é essencial para famílias de Salgado de São Félix e região, que podem buscar orientações em unidades de saúde locais.

O trabalho é desenvolvido, principalmente, por meio do Banco de Leite Humano da maternidade, que atua no acolhimento, orientação e acompanhamento das puérperas durante todo o processo de amamentação. De acordo com a coordenadora do Banco de Leite Humano do ICV, Polyanna Alves, o leite materno é um alimento biologicamente ativo e rico em componentes que fortalecem o sistema imunológico do bebê.

“O leite humano contém substâncias como imunoglobulina A secretora, lactoferrina, lisozima, leucócitos, citocinas e oligossacarídeos, que fortalecem o sistema imunológico ainda imaturo do recém-nascido e oferecem proteção contra infecções, principalmente as respiratórias”, explicou Polyanna Alves.

Durante os períodos de maior circulação de vírus respiratórios, como o Vírus Sincicial Respiratório (VSR), Influenza e outros agentes causadores de infecções respiratórias agudas, a amamentação exclusiva se torna ainda mais importante. Bebês alimentados apenas com leite materno apresentam menor risco de desenvolver quadros graves de bronquiolite, pneumonia e outras complicações, além de reduzirem as chances de internação hospitalar.

Estudos da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) apontam que o aumento da circulação de vírus respiratórios em determinadas épocas do ano eleva significativamente os casos de infecções em crianças, sobretudo em lactentes e prematuros. Nesse cenário, o leite materno funciona como uma proteção contínua, transferindo anticorpos da mãe para o bebê e contribuindo para diminuir a gravidade das infecções.

No Instituto Cândida Vargas, o Banco de Leite Humano também realiza a coleta, processamento e distribuição do leite doado, além de auxiliar mães que enfrentam dificuldades relacionadas à lactação. “As ações do Banco de Leite tornam-se ainda mais estratégicas nos períodos de maior circulação viral. Por meio do manejo clínico da amamentação e das orientações às puérperas, conseguimos contribuir diretamente para a prevenção de agravos respiratórios e para o fortalecimento da saúde infantil”, destacou Polyanna Alves.

A unidade ainda promove campanhas de incentivo à doação de leite materno, garantindo assistência aos recém-nascidos prematuros e bebês de risco internados nas unidades neonatais da maternidade. Após passar por rigoroso controle de qualidade, o leite humano doado mantém propriedades imunológicas essenciais e é considerado um recurso terapêutico indispensável para os bebês mais vulneráveis.

Segundo a maternidade, o fortalecimento das ações do Banco de Leite Humano representa uma importante estratégia de saúde pública, contribuindo para a redução da mortalidade infantil, o incentivo ao aleitamento materno e a proteção imunológica dos lactentes, especialmente nos períodos de maior circulação de vírus respiratórios. Em Salgado de São Félix, famílias podem buscar informações sobre aleitamento nas unidades básicas de saúde e, se necessário, encaminhamentos para bancos de leite regionais. A recomendação dos especialistas é clara: amamentar exclusivamente até os seis meses e continuar com complementação alimentar até os dois anos ou mais, conforme orientação da Organização Mundial da Saúde (OMS).

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