Cirurgia foi a segunda do tipo realizada este ano na unidade gerenciada pela PB Saúde. Paciente aguardava na fila de espera há cerca de um ano e convivia com cardiomiopatia.

Uma decisão tomada em meio ao luto transformou a madrugada de uma família paraibana em um novo começo. Enquanto parentes se despediam de uma mulher de 36 anos, outra família, marcada por perdas, recebia a notícia capaz de mudar tudo: havia surgido um coração compatível para Felipe Ferreira da Silva, de 25 anos. O “sim” que autorizou a doação permitiu que o jovem entrasse no centro cirúrgico do Hospital Metropolitano Dom José Maria Pires, unidade do Governo da Paraíba gerenciada pela Fundação Paraibana de Gestão em Saúde (PB Saúde), em Santa Rita, para o segundo transplante cardíaco realizado este ano na unidade.

Depois de quatro anos convivendo com uma cardiomiopatia e de cerca de um ano na fila de espera, Felipe descrevia a mistura de ansiedade e felicidade poucas horas antes da cirurgia. “Estou tranquilo, esperando só a hora. Alegre demais”, contou. Apesar da dificuldade para dormir causada pela sequência de exames realizados durante toda a madrugada, o jovem demonstrava confiança no procedimento. “Vai dar tudo certo. Já deu certo”, afirmou.

A notícia chegou no fim da tarde anterior, por telefone. Felipe lembra que foi orientado a permanecer atento ao celular. “Ela disse para eu ficar atento porque a qualquer momento entraria em contato. Quando falou, eu já imaginei que era sobre o transplante”, relembrou. Pouco depois, a família seguiu para o hospital, onde os preparativos começaram imediatamente.

A espera pelo órgão era compartilhada por todos os familiares, especialmente pelo irmão de Felipe, José Douglas de Lima. Segundo ele, o transplante representa também uma vitória emocional para a família, que já perdeu a mãe e uma irmã em decorrência do mesmo problema cardíaco. “A gente estava esperando há muito tempo. Graças a Deus chegou esse momento. Estamos muito felizes e cheios de esperança”, disse.

Responsável técnico pelo transplante cardíaco no Hospital Metropolitano, o cirurgião cardiovascular Antônio Pedrosa destacou a maturidade do serviço desenvolvido na Paraíba. Segundo ele, a unidade já ultrapassou a marca de 20 transplantes realizados, alcançando resultados compatíveis com os principais centros internacionais. “Estamos falando de um procedimento extremamente complexo, mas que hoje pode ser feito aqui no nosso estado, sem que o paciente precise sair da Paraíba para buscar tratamento”, ressaltou.

De acordo com o médico, o caso teve uma particularidade importante: tanto o doador quanto o receptor estavam internados no mesmo hospital, o que agilizou a logística da cirurgia. “Isso facilita o processo de captação e implantação do órgão, tornando todo o procedimento ainda mais rápido e seguro”, explicou. Antônio Pedrosa também fez questão de agradecer à família da doadora. “Todo transplante começa com um gesto de amor. Existe uma família vivendo a dor da perda, mas que encontra força para pensar na vida de outras pessoas. Sem esse gesto, nada disso seria possível”.

Além do coração destinado ao transplante de Felipe, também foram captadas as córneas da doadora. A notícia traz alento para moradores de Salgado de São Félix e região, que dependem do sistema público de saúde do estado. O sucesso do procedimento reforça a importância da doação de órgãos e mostra que a Paraíba conta com estrutura hospitalar de ponta e profissionais capacitados para realizar cirurgias complexas. Para as famílias que aguardam na fila do transplante, cada novo caso bem-sucedido é uma renovação de esperança.

De acordo com informações do Governo da Paraíba, adaptadas pela Rádio Salgado FM, o Hospital Metropolitano segue consolidado como referência em transplantes no estado. A unidade, localizada em Santa Rita, atende pacientes de toda a Paraíba, inclusive da região do Vale do Paraíba, onde está inserido o município de Salgado de São Félix. A agilidade no processo logístico, proporcionada pelo fato de doador e receptor estarem no mesmo hospital, é um diferencial que pode salvar ainda mais vidas no futuro.

O caso de Felipe é um exemplo de como a combinação entre generosidade familiar, competência médica e infraestrutura hospitalar pode transformar o desfecho de uma história. O jovem, agora em recuperação, simboliza a força da vida que renasce mesmo diante da perda. A família dele, que já carregava o peso de outras mortes por doenças cardíacas, vê no transplante uma nova chance de recomeço. Já a família da doadora, ao autorizar a doação, deixou um legado de amor e solidariedade que ecoa por todo o estado.

A Rádio Salgado FM acompanha de perto os desdobramentos da saúde na região e reforça a relevância de campanhas de conscientização sobre a doação de órgãos. Para quem deseja ser doador, a orientação é comunicar a decisão à família, pois no Brasil a doação só ocorre com autorização dos parentes. Cada gesto de amor pode significar a chance de uma nova vida, como aconteceu com Felipe e sua família.

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