Rede de doação e apoio ao aleitamento materno busca aumentar estoques e conscientizar a população; frascos de vidro também são necessários
Acolhimento e solidariedade são as palavras-chave quando o assunto é doação de leite humano, destinado principalmente a recém-nascidos prematuros, de baixo peso, internados em UTIs neonatais e unidades de cuidados intermediários. Muitos bebês não conseguem ser amamentados diretamente pelas próprias mães, seja pela prematuridade, pela gravidade clínica ou por dificuldades na produção de leite materno. Para esses pequenos, o leite humano é um recurso terapêutico essencial. Por isso, os Bancos de Leite da Paraíba — e de todo o Brasil — buscam ampliar o volume de doações para fortalecer a assistência neonatal.
“O banco de leite é uma corrente positiva. Além da coleta, também apoiamos o aleitamento materno, levando informação e acolhimento às mães. Quando acolhemos bem, mostramos segurança e elas não nos largam. Somos uma rede de apoio”, afirmou Polyanna Alves, coordenadora do Banco de Leite Humano Dra. Zilda Arns, do Instituto Cândida Vargas (ICV), em João Pessoa.
De acordo com o Ministério da Saúde, todos os anos cerca de 150 mil litros de leite materno humano são coletados, processados e distribuídos a recém-nascidos de baixo peso internados em unidades neonatais do Brasil. Mais de quatro milhões de recém-nascidos já foram beneficiados pelas doações no país. O leite humano pasteurizado vai além de um alimento: funciona como terapia nutricional e imunológica, contribuindo para reduzir infecções, diarreias e alergias, além de prevenir complicações, melhorar a recuperação clínica e diminuir a mortalidade neonatal. Uma única doadora pode ajudar a alimentar vários bebês, e cada mililitro doado representa mais chances de crescimento saudável.
Dependendo do peso do prematuro, 1 ml de leite materno é suficiente para nutri-lo, aumentando suas chances de recuperação. Um vidro de leite doado (200 ml) pode alimentar cerca de 10 recém-nascidos prematuros por dia, considerando as dietas a cada três horas. Apenas no Banco de Leite Humano Dra. Zilda Arns foram coletados 124 litros de leite em abril. “Uma de nossas doadoras já doou quase 60 litros em dois meses. Isso representa segurança, amor e solidariedade, tudo consolidado para que tenhamos esse retorno satisfatório. Mas não podemos parar, a busca é constante”, destacou a coordenadora.
Mulheres saudáveis que estejam amamentando e possuam excesso de leite podem se tornar doadoras sem sair de casa. Na Paraíba, o atendimento é feito pela Rede Estadual de Bancos de Leite Humano, que fornece orientações, materiais e realiza a coleta domiciliar. A rede municipal de saúde também mantém ações permanentes de orientação, apoio à amamentação e coleta. O perfil estimado das doadoras na capital é de mulheres entre 25 e 45 anos.
Segundo a coordenadora-geral da Rede Paraibana de Bancos de Leite Humano, Thaise Ribeiro, o principal desafio é manter um fluxo contínuo e suficiente de leite diante da demanda constante das unidades neonatais. Atualmente, o Banco de Leite Humano Estadual atende o Hospital da Mulher D. Creuza Pires, em João Pessoa, e é referência para outras cinco unidades hospitalares da capital, alcançando em média 400 bebês por mês. O estoque atual garante 100% do atendimento, mas a ampliação em cerca de 200 litros de leite humano permitiria expandir a capacidade e manter estoques mais confortáveis diante do aumento da demanda.
“Atualmente, conseguimos assegurar assistência integral aos bebês que mais necessitam. Porém, muitas pessoas ainda não conhecem o funcionamento do Banco de Leite, não sabem que podem doar o excedente ou acreditam, de forma equivocada, que produzem pouco leite para contribuir”, afirmou Thaise. Ela também destaca a necessidade de ampliar a conscientização sobre a doação e fortalecer a rede de apoio à mulher que amamenta, envolvendo família, empregadores e toda a comunidade.
O Dia Mundial da Doação de Leite Humano, celebrado em 19 de maio, foi marcado por uma programação na Paraíba promovida pelas redes estadual e municipal para discutir estratégias e reconhecer as mães doadoras.
Suporte além da doação
A Rede Paraibana de Bancos de Leite Humano é composta por seis Bancos de Leite nas cidades de João Pessoa, Guarabira, Campina Grande, Patos e Cajazeiras, além de postos de coleta em diversas regiões do Estado. A rede oferece assistência a mulheres lactantes, apoio ao aleitamento materno e fornecimento de leite humano pasteurizado para bebês internados. O atendimento inclui suporte a mães com dificuldades na amamentação, intercorrências mamárias e orientações sobre lactação. Em João Pessoa, o Instituto Cândida Vargas oferece desde o pré-natal até o nascimento, com laserterapia para fissuras mamárias, correção de pega e postura, além de conscientização sobre doação. “O leite doado salva bebês da UTI neonatal com 900 gramas, 1 quilo ou 1 quilo e 200 gramas. O potencial imunológico e nutricional desse leite diminui o tempo de internação. Essas mães doam amor em forma de leite”, afirma Polyanna.
Frascos de vidro também são necessários
Além do leite, os bancos precisam de frascos de vidro com tampa plástica rosqueável (como os de café solúvel). A falta desses recipientes impacta toda a cadeia de coleta, armazenamento e distribuição. No ICV, a demanda por frascos é grande. “Sem os potes, não conseguimos manter o fluxo de produção e distribuição. O leite não chegará aos bebês”, alerta a coordenadora. A população pode doar frascos, e o serviço de coleta domiciliar é oferecido. Interessados podem entrar em contato pelo WhatsApp (83) 98832-7159. Tampas de metal não são aceitas, pois podem oxidar e contaminar o leite.
Como doar leite humano
Para se tornar doadora, basta entrar em contato com o Banco de Leite Humano mais próximo ou com o Centro de Referência Estadual pelo WhatsApp (83) 99103-0059 ou Instagram @bancodeleite.anitacabral. A equipe realiza atendimento domiciliar, fornece frascos esterilizados e materiais, e coleta o leite na residência. O atendimento presencial no Banco Estadual ocorre de segunda a sexta, das 7h às 17h. Já o Banco de Leite Dra. Zilda Arns, no Cândida Vargas, funciona de segunda a sexta, das 8h às 17h, com plantão 24h para urgências. As mães interessadas podem contatar pelo WhatsApp (83) 98832-7159 para cadastro e agendamento de coleta.
Impacto para Salgado de São Félix e região
Embora os Bancos de Leite estejam concentrados nas principais cidades da Paraíba, a rede atende toda a demanda hospitalar do estado, beneficiando indiretamente moradores de Salgado de São Félix e municípios vizinhos. Bebês da região que necessitem de internação em UTIs neonatais na capital ou em hospitais de referência contam com o leite doado por mulheres paraibanas. A solidariedade local também pode fazer a diferença: moradoras que amamentam e têm excedente podem se cadastrar para doação, e qualquer pessoa pode contribuir doando frascos de vidro. A Rádio Salgado FM reforça a importância de apoiar essa causa, que salva vidas e fortalece a assistência neonatal em toda a Paraíba.
