Gestão municipal notifica empresa e cogita rescisão contratual após falhas recorrentes; volume de resíduos cresce 25% em seis anos

O superintendente da Autarquia Especial Municipal de Limpeza Urbana (EMLUR), Ricardo Veloso, reconheceu nesta quinta-feira (7) falhas na coleta de lixo em João Pessoa e afirmou que a empresa responsável pelo serviço já foi oficialmente notificada pela Prefeitura, podendo até perder o contrato caso os problemas persistam. De acordo com informações da assessoria da Emlur, adaptadas pela Rádio Salgado FM, a situação se agravou após paralisações registradas nos últimos dias, comprometendo a operação na capital.

“Infelizmente, me parece que ela não está conseguindo se reposicionar dentro da operação”, afirmou Veloso, referindo-se à contratada. O gestor revelou que o prefeito Léo Bezerra determinou uma postura mais rígida diante das dificuldades enfrentadas pela população. “Notificamos a empresa, inclusive com a possibilidade da rescisão contratual. Espero que ela se recoloque e não seja necessária essa medida mais drástica, mas é uma possibilidade real”, declarou.

Durante entrevista, o superintendente destacou que o crescimento acelerado de João Pessoa aumentou significativamente a demanda pelos serviços de coleta urbana. “Em 2019 nós coletávamos cerca de 400 mil toneladas por ano. Em 2025 fechamos com quase 500 mil toneladas destinadas ao aterro sanitário”, destacou. O aumento de 25% no volume de resíduos reflete a expansão populacional e econômica da capital paraibana, que exige planejamento e capacidade operacional compatíveis.

Segundo ele, períodos de maior movimento, como épocas de chuva e realização de eventos, exigem reforço operacional imediato, o que não estaria sendo atendido pela empresa contratada. “Quando há necessidade de ampliarmos essa operação, ela não corresponde”, disse Veloso. A Prefeitura, por meio da Emlur, tem recebido reclamações de moradores sobre acumulação de lixo em bairros como Mangabeira, Bancários e Centro. A crise na coleta gerou transtornos para comerciantes e residentes, que relatam mau cheiro e proliferação de insetos.

Ricardo Veloso também negou qualquer atraso financeiro por parte da gestão municipal e garantiu que os pagamentos estão sendo realizados regularmente. “João Pessoa não tem qualquer de suas responsabilidades em aberto com essa empresa. Está rigorosamente em dia”, ressaltou. A afirmação visa rebater possíveis justificativas da empresa para o serviço deficiente, que frequentemente alegam inadimplência como causa de paralisações.

Apesar de admitir a possibilidade de rompimento do contrato, o superintendente afirmou que a Prefeitura ainda precisa cumprir os procedimentos previstos na legislação antes de tomar uma decisão definitiva. “A legislação nos impõe alguns procedimentos. Temos que respeitar a ampla defesa e analisar os argumentos da empresa antes de qualquer decisão definitiva”, concluiu. O processo administrativo pode levar semanas, e enquanto isso a população continua sofrendo com os atrasos.

Especialistas em gestão pública alertam que a rescisão contratual é uma medida extrema, mas necessária quando o serviço essencial não é prestado com qualidade. Em João Pessoa, o contrato com a empresa de coleta está em vigor há anos e envolve valores milionários. A Prefeitura já iniciou a busca por alternativas operacionais para o período de transição, caso a rescisão se confirme.

A crise na coleta de lixo em João Pessoa serve como alerta para outras cidades da Paraíba, incluindo Salgado de São Félix, que também enfrenta desafios na gestão de resíduos sólidos. Embora o município tenha um serviço de coleta regular, a escassez de recursos e a falta de planejamento podem levar a situações semelhantes. A Rádio Salgado FM continuará acompanhando o desdobramento desse caso e trará novas informações à medida que surgirem.

Para os moradores de João Pessoa, a recomendação é que denunciem pontos de acúmulo de lixo à Emlur pelos canais oficiais. Enquanto isso, a Prefeitura promete intensificar a fiscalização e, se necessário, aplicar multas diárias à empresa contratada. A expectativa é que a notificação surta efeito e que o serviço seja normalizado nos próximos dias, evitando a rescisão que poderia paralisar ainda mais a coleta na capital.

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