Jamerson Lucena dedicou anos ao estudo da mobilidade e cultura dos Warao, grupo venezuelano com presença crescente no Brasil, incluindo cidades paraibanas como Patos e Cajazeiras.

Segundo informações do Portal Polêmica Paraíba, adaptadas pela Rádio Salgado FM, o início de 2026 trouxe um motivo especial de orgulho para a cidade de Patos, no Sertão paraibano, e para toda a região, incluindo Salgado de São Félix. O professor Jamerson Lucena, filho de Maria do Socorro e Miguel Lilioso, concluiu seu doutorado pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB), com uma pesquisa aprofundada sobre os indígenas Warao, grupo originário da Venezuela que hoje também possui presença significativa no Brasil.

A trajetória de Jamerson na área não é recente. Seu envolvimento com povos indígenas e comunidades tradicionais começou ainda na década de 2010, quando estagiou na Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), em João Pessoa. Desde então, ele passou a atuar com diferentes grupos, incluindo quilombolas, ciganos, pescadores e ribeirinhos, ampliando sua experiência no campo da antropologia social. Essa vivência o preparou para o desafio de compreender a realidade dos Warao, um povo com uma história marcada por migrações e resiliência.

O contato com os Warao teve início em 2020, período marcado pela pandemia de Covid-19. Mesmo diante das restrições sanitárias, o pesquisador buscou formas seguras de interação com os grupos que começavam a se espalhar por cidades paraibanas como Campina Grande, Patos e Cajazeiras — localidades próximas a Salgado de São Félix, o que demonstra a relevância regional do estudo. Já em 2021, ingressou no doutorado em Antropologia pela UFPB, dando início a um estudo mais aprofundado sobre a realidade desse povo indígena. A pesquisa não se limitou ao Brasil: Jamerson percorreu diversas cidades do Nordeste, como Natal, Mossoró, Recife, Feira de Santana, Jacobina e Santo Antônio de Jesus, além de manter contato com comunidades Warao em diferentes regiões. O foco do estudo foi compreender a mobilidade desses grupos, suas redes de comunicação e os laços familiares que se fortalecem nos contextos urbanos.

Segundo o pesquisador, os Warao não podem ser considerados nômades. A mobilidade ocorre por fatores como busca por melhores condições de vida, acesso a alimentos, benefícios sociais e fuga de situações de discriminação e xenofobia. Ele também destaca um dado relevante: muitas crianças Warao já nasceram em solo brasileiro — mais de 120 apenas em João Pessoa — o que reforça a presença desse povo também como parte da realidade brasileira. Em 2024, Jamerson deu mais um passo importante em sua pesquisa ao realizar trabalho de campo na Venezuela, na região do Delta do Rio Orinoco, onde conheceu de perto o modo de vida tradicional dos Warao. A viagem ultrapassou sete mil quilômetros até chegar às comunidades localizadas nos estados de Delta Amacuro, Monagas e Sucre.

O estudo também destaca aspectos culturais importantes, como a organização social baseada em famílias matrilineares e o papel central das mulheres na vida comunitária. Elas se destacam na produção artesanal, especialmente com fibras naturais como o buriti, além de exercerem influência significativa nas decisões e na transmissão de conhecimento. Para a região de Salgado de São Félix e todo o Sertão paraibano, essa pesquisa traz uma contribuição valiosa ao ampliar o entendimento sobre a diversidade cultural e os desafios enfrentados pelos povos indígenas em contexto urbano. A Rádio Salgado FM parabeniza o professor Jamerson Lucena por essa conquista e reafirma o compromisso de levar informações que valorizam a educação, a ciência e a cultura da nossa gente.

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