Senador Flávio Bolsonaro nega uso de dinheiro público, mas entidades ligadas à produtora Go Up receberam R$ 108 milhões da Prefeitura de SP e milhões em emendas de deputados do PL; deputada Tabata Amaral aciona STF
O pedido de apoio financeiro feito pelo senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro, ao banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para financiar um filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, abriu uma nova polêmica envolvendo recursos públicos, emendas parlamentares e contratos milionários ligados à produtora responsável pela obra. Segundo apuração da Rádio Salgado FM, baseada em informações divulgadas por veículos nacionais e adaptadas para o público regional, a situação levanta questões sobre transparência e uso de verbas públicas.
Apesar de Flávio afirmar que o projeto teria “zero de dinheiro público”, a produtora Go Up, responsável pelo longa “Dark Horse” (“Azarão”), possui ligação com organizações e empresas que já receberam recursos públicos por meio de emendas parlamentares de deputados do PL e contratos com a Prefeitura de São Paulo. A produtora tem como sócia-administradora Karina Gama, que também preside o Instituto Conhecer Brasil. A entidade firmou um termo de colaboração de R$ 108 milhões com a Prefeitura de São Paulo para instalação de pontos de internet wi-fi em comunidades carentes da capital paulista.
Além disso, o Instituto Conhecer Brasil recebeu R$ 2 milhões em emendas parlamentares do deputado federal Mario Frias em 2025 para projetos de letramento digital e incentivo ao esporte. Outra entidade ligada a Karina, a Academia Nacional de Cultura (ANC), também foi beneficiada com R$ 2,6 milhões em emendas parlamentares destinadas por deputados do PL, entre eles Bia Kicis, Marcos Pollon, Carla Zambelli e Alexandre Ramagem. Segundo informações divulgadas, os recursos seriam destinados à produção de uma série sobre heróis nacionais. O Governo de São Paulo informou que os valores seguem sem execução devido a pendências técnicas e documentais.
Karina Gama negou que o filme sobre Bolsonaro tenha recebido qualquer verba pública ou privada brasileira e afirmou que o projeto é financiado exclusivamente por investidores estrangeiros. Segundo ela, existe cláusula de confidencialidade que impede a divulgação dos nomes dos financiadores. O longa “Dark Horse” já teve as gravações encerradas em São Paulo e contará com o ator americano Jim Caviezel, conhecido por interpretar Jesus Cristo no filme A Paixão de Cristo, no papel de Jair Bolsonaro. A direção é do cineasta americano Cyrus Nowrasteh.
A repercussão do caso levou a deputada federal Tabata Amaral a apresentar representação no Supremo Tribunal Federal questionando os repasses públicos destinados às entidades ligadas à empresária. A ação pede esclarecimentos sobre a legalidade dos contratos e o eventual desvio de finalidade das emendas parlamentares. Para os moradores de Salgado de São Félix e região, o caso ressalta a importância da fiscalização dos recursos públicos e da transparência em projetos financiados com dinheiro do contribuinte. Embora o filme não tenha relação direta com a Paraíba, a discussão sobre o uso de verbas federais e estaduais impacta todas as cidades brasileiras, especialmente em um momento de debate sobre responsabilidade fiscal e ética na política.
O episódio também expõe as conexões entre figuras políticas e empresários, reacendendo o debate sobre a influência de emendas parlamentares em projetos culturais e sociais. Enquanto isso, a produção do filme segue adiante, com previsão de lançamento internacional. A Rádio Salgado FM continuará acompanhando o desdobramento das investigações e eventuais decisões do STF sobre o caso.
