Empresários de Campina Grande se mobilizaram contra a intervenção; o assassinato de João Pessoa foi decisivo para o fim da Revolta de Princesa e a ascensão de Getúlio Vargas.

Em maio de 1930, a Paraíba viveu momentos de tensão política que poderiam ter resultado em uma intervenção federal. Segundo informações do portal Polêmica Paraíba, adaptadas pela Rádio Salgado FM, o jornal A União publicou no dia 20 de maio um telegrama de empresários de Campina Grande condenando a possibilidade de intervenção. A mensagem, endereçada ao presidente da República, ao Senado e à Câmara, destacava que o governo estadual mantinha a normalidade e garantias constitucionais, sendo a intervenção desnecessária e desejada apenas por oportunistas.

O telegrama apontava que a única exceção à paz no estado era o território de Princesa, onde um movimento armado liderado pelo coronel José Pereira Lima, conhecido como Revolta de Princesa, desafiava o governo de João Pessoa. O conflito teve início em fevereiro de 1930, inserido nas disputas internas do Partido Republicano da Paraíba, na candidatura de João Pessoa a vice-presidente na chapa de Getúlio Vargas e nas tensões geradas pelas reformas administrativas e fiscais do governo estadual.

A intervenção federal chegou a ser cogitada pelo presidente Washington Luiz, mas nunca se concretizou. O motivo: em 26 de julho de 1930, o advogado João Dantas assassinou João Pessoa em Recife. Embora motivado por razões pessoais, o crime foi vinculado à oposição política, o que desencadeou uma série de eventos. Em agosto, a Revolta de Princesa foi derrotada; em outubro, Washington Luiz foi deposto; e em 3 de novembro, Getúlio Vargas assumiu a presidência, mudando o rumo da história do Brasil.

Para os moradores de Salgado de São Félix, compreender esse episódio é entender como as disputas políticas do início do século XX moldaram o cenário regional. Embora a cidade não tenha sido palco direto dos acontecimentos, a queda de João Pessoa e a ascensão de Vargas impactaram todas as esferas da administração pública na Paraíba, incluindo a política local. A Revolta de Princesa, com seu confronto entre o coronelismo e o governo estadual, é um exemplo clássico das tensões que marcaram o Nordeste brasileiro.

O assassinato de João Pessoa, interpretado como um ato de oposição, serviu de combustível para a Revolução de 1930, que colocou Getúlio Vargas no poder. Esse movimento encerrou a Primeira República e iniciou uma nova era de centralização política. A Paraíba, então, ganhou destaque nacional como berço do vice-presidente mártir, e seu nome foi homenageado na capital João Pessoa. O estado foi um dos principais aliados de Vargas, e a história da região, incluindo cidades como Salgado de São Félix, foi influenciada por essas mudanças.

O telegrama dos empresários de Campina Grande, que pedia a não intervenção, mostra a articulação das elites locais para manter a autonomia estadual. No entanto, os eventos se sucederam de forma imprevisível, e o que poderia ter sido uma intervenção federal transformou-se em uma revolução nacional. A memória desse período é preservada em arquivos históricos e publicações como a de Sérgio Botelho, que nos lembra como um assassinato em Recife alterou os rumos do país.

Este artigo, baseado em fontes confiáveis, busca resgatar essa história para que os leitores da Rádio Salgado FM possam refletir sobre as raízes políticas da Paraíba. A história da Revolta de Princesa e da intervenção frustrada é um capítulo essencial para entender a formação do estado e do Brasil.

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