Relato do padre Rodrigo Trindade durante audiência pública na Câmara Municipal de Patos repercutiu nas redes sociais e amplia o debate sobre inclusão e acolhimento de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA).
O depoimento do padre Rodrigo Trindade durante uma audiência pública sobre conscientização do Transtorno do Espectro Autista (TEA), realizada na Câmara Municipal de Patos, ganhou repercussão nas redes sociais e emocionou quem acompanhou o momento. Pela primeira vez, o religioso falou publicamente e de forma aberta sobre o autismo em sua própria vida, compartilhando sentimentos, desafios e dificuldades enfrentadas no cotidiano.
“Tive muito receio de vir aqui hoje, pois falo sobre Jesus e não sobre mim. Não me sinto ainda totalmente à vontade para falar sobre o autismo na minha vida. É a primeira vez que faço isso abertamente diante de um público”, declarou o padre, visivelmente emocionado.
Durante o relato, ele refletiu sobre a realidade de outras pessoas dentro do espectro autista e destacou as diferentes necessidades de suporte. “Eu olho para os meus irmãos do espectro, que precisam de bem mais suporte do que eu, e penso: é difícil para eles, é severo para eles”, afirmou.
Em um dos trechos que mais repercutiram, o padre falou sobre o desafio da aceitação e da necessidade constante de validação social. “Mas tem uma coisa que eles não enfrentam: eles não precisam justificar que são autistas. Eu tenho que justificar para poder ser aceito”, disse, arrancando aplausos e lágrimas dos presentes.
O discurso foi recebido com atenção e emoção pelos participantes da audiência e rapidamente passou a circular nas redes sociais, ampliando o debate sobre inclusão, acolhimento e conscientização sobre o autismo. Para a Rádio Salgado FM, a história ressoa de forma especial na região de Salgado de São Félix e cidades vizinhas, onde a luta por mais visibilidade e direitos das pessoas com TEA também é uma realidade cotidiana.
O relato do padre Rodrigo Trindade serve como um alerta e um convite à reflexão: muitas pessoas autistas, especialmente aquelas com suporte de nível 1 (anteriormente chamado de síndrome de Asperger), enfrentam o preconceito de “não parecerem autistas” e precisam provar constantemente sua condição. Essa invisibilidade social gera sofrimento e dificulta o acesso a acolhimento e acomodações necessárias.
Segundo informações da Câmara Municipal de Patos, adaptadas pela Rádio Salgado FM, a audiência pública teve como objetivo discutir políticas públicas para autistas no município, mas ganhou um testemunho pessoal que tocou a todos. O padre, conhecido por seu trabalho pastoral, mostrou que o autismo não tem rosto único e pode estar presente em qualquer pessoa, inclusive em líderes religiosos.
A fala do religioso reforça a importância de campanhas de conscientização que vão além do dia 2 de abril (Dia Mundial de Conscientização do Autismo) e que promovam uma verdadeira cultura de inclusão. Em Salgado de São Félix, a comunidade pode se inspirar nesse exemplo para fortalecer redes de apoio e combater o capacitismo estrutural.
O padre concluiu sua participação agradecendo a oportunidade e pedindo que mais pessoas se informem sobre o TEA. “Não quero ser tratado como especial, quero ser tratado como igual. Mas para isso, a sociedade precisa entender que o autismo se manifesta de muitas formas. E que cada um de nós merece respeito e aceitação sem precisar justificar quem é”, finalizou.
A repercussão do depoimento já gerou convites para que o padre participe de outras rodas de conversa sobre o tema, ampliando o alcance da mensagem. Para a população de Salgado de São Félix e região, fica o convite ao diálogo e à empatia, pilares fundamentais para construir uma sociedade verdadeiramente inclusiva.
