Ex-governador reage a traições e defecções enquanto disputa vaga no Senado; seis pré-candidatos estão na corrida

O ex-governador João Azevêdo, presidente estadual do PSB, finalmente reagiu às ameaças de traição de voto de antigos aliados na sua pré-candidatura ao Senado, queixando-se do descumprimento de acordos firmados quando estava no poder e de migração para a pré-candidatura do seu companheiro de chapa Nabor Wanderley (Republicanos), ex-prefeito de Patos e pai do deputado Hugo Motta, presidente da Câmara Federal. Segundo informações do portal de Nonato Guedes, adaptadas pela Rádio Salgado FM, essa migração ocorre não apenas na direção de Nabor Wanderley, que tem forte penetração no municipalismo e conta com o reforço do filho mediante liberação de recursos de emendas parlamentares para prefeituras, mas no encalço do senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB), que concorre pela oposição, integrando a chapa liderada por Cícero Lucena a governador.

A preocupação do ex-governador é pertinente quanto à prática ostensiva de infidelidade, que em diferentes campanhas institucionalizou-se na Paraíba e em outros Estados, mas convém analisar que a liberdade de voto ocorre num cenário bastante fragmentado, com a pulverização de pelo menos seis candidaturas ao Senado. O fenômeno do cruzamento de votos entre candidatos de chapas distintas já vinha ocorrendo no início propriamente dito da pré-campanha, quando, por exemplo, João Azevêdo cumpria agendas administrativas a pleno vapor e gastava sem limite a tinta da caneta do poder, que exerce um efeito hipnótico sobre lideranças políticas municipais. Expoentes da oposição, por outro lado, não deixaram de advertir o próprio João, inúmeras vezes, sobre os riscos de defecções dentro da sua base, uma delas – a de Cícero Lucena, teve peso relevante na conjuntura de forças na Paraíba. Houve baixas em série dentro do PSB que João preside, com debandada para outros partidos, inclusive o PP do titular do poder de plantão, Lucas Ribeiro, pré-candidato à reeleição.

Nas rodas políticas fala-se que os mais fiéis a João contam-se nos dedos: Chico Mendes, líder do seu governo na Assembleia Legislativa e Tibério Limeira, ex-secretário de Administração e pré-candidato a deputado estadual. A ex-secretária Pollyanna Werton, pré-candidata à Câmara, uma das mais entusiastas defensoras de Azevêdo, debandou rumo ao PP e o deputado federal Gervásio Maia, que presidiu o PSB, protagonizou saída de emergência para sobreviver politicamente, refugiando-se nas hostes do PCdoB, pelo qual concorrerá à reeleição em condições difíceis, dada a partilha de votos com candidatos que compõem uma Federação. Esses “desertores” do pálio socialista não necessariamente romperam com João, muito menos com o governo de Lucas, mas, certamente, ficaram mais distantes da liderança e orientação política do ex-governador, passando a ter outros interlocutores de destaque na cena estadual.

Cabe ressaltar que algumas defecções não foram fruto propriamente do sentimento de infidelidade, mas derivadas da necessidade de acomodação política com o objetivo de manter espaços no cenário pulverizado. Por outro lado, João ocupou-se demais com a administração, daí o legado extraordinário que está deixando para a população paraibana, e somente veio a cuidar da política quando já estava fora do poder. Como pré-candidato ao Senado, ele lidera pesquisas de intenção de voto, mas ganhou um concorrente de fôlego, o ex-prefeito Nabor Wanderley, que trabalha para ser a “surpresa” da eleição, conforme inconfidência feita pelo filho, Hugo Motta, numa conversa com amigos. O panorama acolhe, ainda, as seguintes pré-candidaturas a senador: Veneziano Vital do Rêgo (o único que disputa reeleição), o ex-prefeito de Sousa, André Gadelha, o ex-ministro da Saúde do governo Bolsonaro Marcelo Queiroga e o ex-deputado federal Major Fábio. Em diversas regiões tem havido uma prévia do cruzamento de chapas, com eleitores anunciando voto em João e Veneziano, em Veneziano e Nabor, em João e Queiroga, aparentemente protagonizando uma sarabanda patética no contexto das eleições majoritárias.

Está na lógica da realidade política que em disputas concorridas ou acirradas vale muito o individualismo, o “cada um por si”, a corrida de obstáculos para demonstrar favoritismo ou liderança. Já houve casos de eleições na Paraíba em que dois candidatos ao Senado de chapas diferentes foram eleitos, como em 2002, com a vitória de José Maranhão (PMDB) e de Efraim Moraes, do DEM, ex-PFL, o primeiro apoiando Roberto Paulino ao governo, o segundo fechado com Cássio Cunha Lima, que foi o eleito. Houve “azarões” que surpreenderam, como o empresário Raimundo Lira, neófito em política, que se elegeu ao Senado em 86 tendo mais votos do que Humberto Lucena, uma legenda dentro do PMDB. E houve derrotas traumáticas, como a de Cássio Cunha Lima na campanha pela reeleição ao Senado em 2018 depois de ter sido eleito em 2010 com mais de um milhão de votos. Em 2018, Cássio ficou no quarto lugar e os dois eleitos foram Veneziano Vital do Rêgo e Daniella Ribeiro. A busca da unidade, agora pregada por João, é essencial, e já deveria ter sido empreendida desde o pré-lançamento de candidaturas. A esta altura, o que pode ser conseguido é um armistício, uma espécie de pacto para não provocar invasões de áreas entre companheiros-concorrentes. Mas a regra das disputas é clara: quem decide é o eleitor.

Para os moradores de Salgado de São Félix e região, o cenário político fragmentado pode influenciar alianças locais e a escolha de representantes no Senado, que serão fundamentais para a destinação de emendas e investimentos. A Rádio Salgado FM continuará acompanhando de perto cada movimento, trazendo análises e reportagens exclusivas sobre as eleições de 2026.

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