Ex-governador busca superar dissidências internas e críticas da oposição para conquistar uma cadeira no Senado Federal; cenário eleitoral paraibano segue volátil

Por Nonato Guedes, adaptado pela Rádio Salgado FM – Fora do poder desde o início de abril, quando renunciou ao cargo de governador para disputar uma vaga ao Senado, João Azevêdo (PSB) enfrenta uma série de problemas políticos, muitos originados dentro do próprio partido que preside. As dificuldades atingem a base aliada remanescente de seu mandato, marcada por interesses pessoais desenfreados na corrida por cadeiras na Assembleia Legislativa. O ex-governador tem se movimentado para contornar incidentes e ameaças de rompimento de antigos aliados, que lhe juravam fidelidade quando estava no Palácio da Redenção. Porém, a acomodação de insatisfações e a solução de demandas contrariadas têm exigido esforços árduos, habilidade e paciência.

Alguns desses entrechoques são estimulados indiretamente por próceres da oposição, adversários figadais de João Azevêdo que esperaram pouco mais de sete anos para tentar infligir-lhe uma revanche no campo político-partidário. A oposição sempre apostou no divisionismo governista, baseada na filosofia de que o poder é efêmero e volátil, como deixou claro o senador Efraim Filho (PL), um dos opositores de João. O parlamentar, pré-candidato ao governo, alertou que a quota de benesses do poder de plantão estava se esgotando, e que a consequência seria a revoada em direção a outras legendas. Em grande parte, esse fenômeno se concretizou. O PSB sofreu baixas impactantes em sua bancada na Assembleia, embora os adesistas não tenham migrado necessariamente para a oposição, mas para partidos da base situacionista, como PP e Republicanos.

No fundo, a questão de sobrevivência fala mais alto. O governador Lucas Ribeiro (PP), pré-candidato à reeleição, detém o poder de caneta e faz acenos de valorização da classe política. A oposição aguarda as eleições de outubro para ver se tomará o poder, seja com Efraim Filho (apoiado pelo bolsonarismo), seja com o ex-prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena (ancorado pelo senador lulista Veneziano Vital do Rêgo, do MDB). Alguns movimentos políticos foram calculados na lógica de vender dificuldades para adquirir facilidades, artifício comum entre líderes experientes para se manterem em evidência perto dos ambientes oficiais. O cenário tornou-se confuso devido à pulverização de candidaturas majoritárias, sobretudo para o Senado, e aos cálculos duvidosos dentro das legendas para assegurar vitórias de pré-candidatos.

Não por acaso, a janela partidária aberta em abril foi a tábua de salvação para muitos políticos que se sentiam inseguros em seus partidos e migraram sem risco de punição legal. O deputado federal Gervásio Maia, ex-PSB, trocou a legenda socialista pelo PCdoB, onde disputará a reeleição à Câmara Federal. O PCdoB integra uma federação com PV e PT, este com dois postulantes fortes: Luiz Couto e o ex-governador Ricardo Coutinho. Gervásio afirmou que, se a federação eleger dois representantes pela Paraíba, os escolhidos serão ele e Ricardo Coutinho. Essas ilusões ou certezas impulsionaram a migração partidária, mas Gervásio enfatizou que não se afastou da base liderada por João e Lucas.

João Azevêdo, por sua vez, mantém-se firme no páreo para o Senado, respeitado por adversários – mesmo a contragosto – como um quadro potencial que pode conquistar uma das vagas em jogo. Depõe a seu favor o portfólio de obras e serviços realizados na Paraíba nos últimos sete anos, tanto com aporte de recursos federais e de agências de fomento quanto com recursos próprios acumulados mediante rigorosa política de austeridade e equilíbrio fiscal-financeiro. Os opositores ironizam a suposta falta de jogo de cintura de João, mas é difícil crer que desde 2018, quando se tornou agente político por influência de Ricardo Coutinho, ele não tenha desenvolvido feeling político. Caso contrário, não teria sido reeleito em 2022, mesmo que no segundo turno. O que lhe falta é uma estratégia mais consistente para pavimentar o desafio de conquistar uma cadeira no Senado Federal, onde certamente honraria a representação política paraibana, cheia de altos e baixos na atualidade.

Para os moradores de Salgado de São Félix e região, a definição desse cenário eleitoral é crucial, pois o novo senador pode influenciar destinação de recursos e projetos para o município e áreas vizinhas. A Rádio Salgado FM acompanha de perto as movimentações políticas, garantindo informação de qualidade para que o cidadão possa decidir seu voto com clareza. Acompanhe nossas próximas edições com mais análises e entrevistas sobre os rumos da política paraibana.

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