Ataque, ocorrido no domingo (3), destruiu espaços sagrados da Aldeia Severo Bernardo. Lideranças cobram investigação e proteção ao território.
A comunidade indígena Tabajara da Paraíba foi alvo de um ataque criminoso no último domingo (3). Em publicação nas redes sociais, os indígenas Potiguara denunciaram que uma oca sagrada e outros espaços da Aldeia Severo Bernardo, localizada no município do Conde, foram incendiados. O ato é tratado como um atentado contra todos os povos originários.
Segundo informações do portal ClickPB, adaptadas pela Rádio Salgado FM, a denúncia foi divulgada através do perfil oficial do Povo Indígena Potiguara da Paraíba no Instagram. No texto, o grupo afirma que o ataque aos Tabajaras representa uma agressão direta à cultura e à espiritualidade indígena. “O povo Tabajara da Paraíba repudia todo tipo de violência contra os nossos povos, contra a nossa oca sagrada e contra todos aqueles que lutam pela causa dos povos originários”, diz a publicação.
A oca sagrada é um espaço de grande significado espiritual e cultural para os Tabajaras, utilizado para rituais, reuniões e transmissão de saberes ancestrais. A destruição desse local por meio de incêndio criminoso é vista como uma tentativa de apagar a memória e a identidade do povo. Além da oca, outras estruturas da aldeia também foram danificadas pelo fogo, segundo os relatos.
Denúncia cobra ação das autoridades
Na mesma postagem, os indígenas cobram das autoridades competentes a identificação e punição dos responsáveis pelo crime. Eles também pedem garantias de segurança para as lideranças e para o território indígena. A Polícia Civil e a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) ainda não se pronunciaram oficialmente sobre o caso até o fechamento desta matéria.
O Conde, município da Região Metropolitana de João Pessoa, abriga diversas comunidades indígenas, incluindo os Tabajaras. A região tem histórico de conflitos fundiários e ataques a territórios tradicionais. Para os moradores de Salgado de São Félix e cidades vizinhas, a notícia ressalta a importância de proteger os direitos dos povos originários em toda a Paraíba. A luta pela demarcação de terras e pela preservação cultural é um tema que toca diretamente a identidade do estado.
Solidariedade entre povos
O gesto de solidariedade dos Potiguara, que divulgaram a denúncia em suas redes, mostra a união entre diferentes etnias indígenas no estado. “Este ataque não é apenas contra os Tabajaras, é contra todos nós”, destaca a publicação. A aliança entre os povos fortalece a resistência e amplifica as vozes que clamam por justiça.
Especialistas em direitos indígenas apontam que incêndios em aldeias têm se tornado recorrentes em diversas regiões do Brasil, muitas vezes associados a conflitos agrários e à exploração ilegal de recursos naturais. A destruição de espaços sagrados é classificada como crime de racismo religioso e contra o patrimônio cultural, passível de punição severa.
Impacto regional
Para os ouvintes da Rádio Salgado FM, que acompanham as notícias do Litoral Sul e do Agreste paraibano, o caso serve como alerta sobre a necessidade de respeito à diversidade cultural e à proteção dos territórios indígenas. Salgado de São Félix, embora não tenha aldeias demarcadas em seu município, está inserido em uma região onde a presença dos povos originários é histórica. A manutenção de seus direitos é fundamental para a construção de uma sociedade mais justa.
Até o momento, não há informações sobre prisões ou suspeitos identificados. As lideranças Tabajaras prometem realizar novas manifestações e acionar os órgãos de proteção internacional, como a Organização das Nações Unidas (ONU). A Rádio Salgado FM continuará acompanhando o desdobramento dos fatos e trará novas informações assim que disponíveis.
O incêndio criminoso na Aldeia Severo Bernardo é mais um capítulo na longa história de resistência dos povos indígenas no Brasil. A destruição de um local sagrado não apaga a fé e a luta dos Tabajaras, mas impõe a urgência de políticas públicas efetivas de proteção territorial e cultural.
