História de resistência negra na Paraíba inspira projeto de renomeação de praça e criação de museu em João Pessoa

Segundo informações do portal Polêmica Paraíba, adaptadas pela Rádio Salgado FM, a história da escrava Gertrudes Maria, que no século XIX ousou ir à Justiça para reivindicar sua liberdade, ganha cada vez mais destaque na Paraíba. O caso está diretamente ligado à atual Praça Rio Branco, no centro de João Pessoa, que já foi palco de um pelourinho — símbolo da violência escravista. Agora, existe um movimento para renomear o logradouro como Praça Gertrudes Maria, em homenagem a essa mulher que desafiou o sistema escravocrata.

O pelourinho era o marco do poder público e da opressão, onde escravos eram castigados. A mudança de nome representaria uma reparação simbólica. No local, um casarão na esquina com a rua Braz Florentino está sendo revitalizado para abrigar o Museu da Diáspora Negra, dos Povos Originários e Comunidades Tradicionais da Paraíba. A iniciativa busca contar a história da população negra e indígena no estado, e a figura de Gertrudes Maria é central.

Gertrudes Maria era uma mulher negra escravizada que, com seu tabuleiro, vendia quitutes pelas ruas da cidade da Parahyba para sustentar seus filhos e juntar dinheiro para comprar sua alforria. Ela já havia adquirido metade de sua liberdade, mas os credores de seu proprietário tentaram vendê-la para pagar dívidas alheias. Inconformada, ela recorreu ao Judiciário para provar que não era mercadoria. Por mais de uma década, lutou bravamente, embora não se saiba o desfecho do processo.

Essa história é contada em pelo menos duas obras: o romance histórico-jurídico “A Preta Gertrudes”, do desembargador Marcos Cavalcanti de Albuquerque, e o estudo acadêmico “Gente negra na Paraíba oitocentista: população, família e parentesco espiritual”, de Solange Pereira da Rocha. Há também uma adaptação teatral intitulada “O Julgamento da Preta Gertrudes”. Em 2025, o Museu do Poder Judiciário da Paraíba incluiu uma imagem de Gertrudes na exposição virtual “Escravidão, Liberdade e Resistência: Memórias da Justiça Brasileira”, organizada pela rede Memojus Brasil.

A proposta de mudança do nome da praça é defendida pela presidente da Comissão do Centro Histórico, a jornalista Afra Soares. Ela informou que o assunto ainda não avançou, mas que a luta continua. A Rádio Salgado FM traz essa reflexão para seus ouvintes de Salgado de São Félix e região, lembrando que a memória da escravidão e da resistência negra não se limita à capital, mas se espalha por todo o estado.

Embora a história se passe em João Pessoa, ela ecoa em Salgado de São Félix, onde a população também carrega marcas do período colonial. Conhecer a trajetória de Gertrudes Maria é valorizar a resistência e a luta por direitos que ainda hoje inspiram movimentos sociais. O Museu da Diáspora Negra, quando inaugurado, será um espaço de aprendizado para todos os paraibanos, incluindo os moradores de Salgado de São Félix que possam visitá-lo.

O Dia da Abolição da Escravatura (13 de maio) é uma data para refletirmos sobre o passado e as desigualdades que persistem. A história de Gertrudes Maria nos lembra que a liberdade foi conquistada com muita luta, e que o Judiciário, muitas vezes instrumento de opressão, também pode ser palco de resistência. Que possamos honrar a memória de Gertrudes e de tantos outros que lutaram por justiça.

Fonte: Sérgio Botelho / Polêmica Paraíba. Adaptação: Rádio Salgado FM.

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