Deputada Camila Toscano questiona prematuridade das articulações; histórico da ALPB revela surpresas e a necessidade de alternância de poder

Segundo informações do portal de Nonato Guedes, adaptadas pela Rádio Salgado FM, o debate antecipado sobre a composição da futura Mesa Diretora da Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB) para o biênio 2027-2029 tem gerado críticas e preocupações entre parlamentares e analistas políticos. A deputada estadual Camila Toscano, em entrevista à rádio Arapuan, classificou como ‘estranho’ o fato de colegas de mandato estarem discutindo nos bastidores e na imprensa quem ocupará os cargos da Mesa em um pleito que só será definido após as eleições de outubro de 2026, quando serão renovadas as 36 vagas do legislativo estadual.

Camila Toscano destacou que ninguém possui ‘bola de cristal’ para prever quem será reeleito ou derrotado nas urnas, e que o processo eleitoral é dinâmico e sujeito a surpresas. A crítica ecoa a de outros parlamentares que veem na antecipação das articulações um desgaste desnecessário para a instituição, que deveria focar em pautas urgentes para a população. Para os moradores de Salgado de São Félix e região, a estabilidade e a eficiência da Assembleia impactam diretamente a destinação de emendas, a aprovação de projetos e a fiscalização do governo estadual, o que torna o tema relevante também no âmbito local.

Lições do passado: surpresas e reviravoltas na ALPB

A matéria original recorda episódios históricos que ilustram a imprevisibilidade das disputas internas na Casa de Epitácio Pessoa. No início da década de 80, o deputado Assis Camelo foi ungido candidato do Palácio da Redenção à presidência da Assembleia, em reunião mediada pelo governador Tarcísio Burity. Apesar do apoio aparente da maioria do PDS, o deputado Fernando Milanez, do mesmo partido, insurgiu-se contra o que chamou de ‘imposição’ e, com o apoio do PMDB, articulou uma dissidência que resultou na vitória de Milanez e na composição de uma Mesa eclética. O PMDB foi agraciado com cargos na direção do legislativo.

Outro exemplo citado é a derrota de Ramalho Leite para João Fernandes da Silva, que viria a promulgar a nova Constituição do Estado. O governador Tarcísio Burity, insatisfeito com a relação turbulenta com o Legislativo, negou-se a jurar a nova Carta. Esses episódios demonstram que, mesmo com o respaldo do Executivo, as alianças podem ruir e o resultado final surpreender a todos.

A moda da antecipação e a longevidade no poder

Nonato Guedes alerta que a antecipação do debate sobre a Mesa não é inédita. Em outros momentos, a Assembleia chegou a realizar eleições para biênios futuros, prática que quase se institucionalizou, mas foi contida por tribunais superiores, que repuseram a normalidade institucional. O atual presidente, deputado Adriano Galdino (Republicanos), acumula quase uma década no comando da ALPB, igualando-se a um mandato de governador reeleito. Essa hegemonia de um partido, argumenta o articulista, praticamente baniu a alternância de poder, o que fragiliza a democracia interna e a representatividade dos demais partidos.

Riscos para a governabilidade e a autonomia do Legislativo

O texto original ressalta que não há crime em conversas informais sobre articulações, desde que não se tornem prioridade ou obsessão. O perigo reside em relegar temas urgentes e em meio a uma corrida eleitoral que pode ter renovação expressiva. Cogitar nomes para a futura presidência ou fechar apoios sem conhecer o resultado das urnas é temerário. Especula-se que o próximo governador dará o tom da eleição da Mesa, seja Lucas Ribeiro (PP), Cícero Lucena (MDB) ou Efraim Filho (PL), mas o poder legiferante vem se fortalecendo em autonomia, interferindo na governabilidade e na execução orçamentária por meio de emendas.

Alternância de poder: um imperativo democrático

Para Nonato Guedes, caberá aos novos integrantes da legislatura de 2027 dar um basta em métodos que desgastam a Assembleia perante a opinião pública. A alternância de poder é imperiosa diante da hegemonia do Republicanos. A falta de democracia interna, com a ‘ditadura de um partido só’ no comando, retira do legislativo uma de suas funções inerentes: o revezamento democrático. A sociedade paraibana, incluindo os cidadãos de Salgado de São Félix, espera que a Assembleia atue com eficácia e transparência, e que o oxigênio da democracia permita que o Legislativo cumpra seu papel de representar todos os partidos e a população.

A Rádio Salgado FM continuará acompanhando esse debate e trazendo informações detalhadas sobre os impactos para a região. A expectativa é que os parlamentares priorizem o interesse público sobre as disputas internas, garantindo que a ALPB seja um espaço de diálogo e não de desgaste institucional.

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