Ação do parlamentar vem após a Operação Cítrico da PF, MPPB e CGU afastar o recém-eleito Edvaldo Neto e expor um longo histórico de instabilidade política e problemas com a Justiça na cidade portuária.
A cidade de Cabedelo, na Paraíba, encontra-se novamente no epicentro de uma profunda crise política. O deputado estadual João Gonçalves defendeu publicamente a intervenção do Estado no município, uma medida drástica que visa pôr fim a um ciclo repetitivo de instabilidade e escândalos. A proposta surge no rastro da recém-deflagrada Operação Cítrico, que culminou no afastamento do prefeito eleito, Edvaldo Neto, e de outros gestores. Em declaração concedida ao programa Arapuan Verdade, na terça-feira (14), o parlamentar expressou sua preocupação com a situação da cidade portuária, que, segundo ele, tem figurado “repetidamente nas páginas policiais”, adaptado pela Rádio Salgado FM.
A intervenção estadual, conforme a visão de João Gonçalves, é uma resposta necessária ao histórico conturbado de Cabedelo. Ele lembrou os sucessivos casos de cassações de mandatos, a instabilidade administrativa crônica e as condenações de ex-gestores que têm marcado a trajetória política do município ao longo dos anos. “A cidade de Cabedelo, seguidamente, vai passando por esse percalço”, afirmou o deputado. Para endereçar essa situação, Gonçalves anunciou que apresentará um requerimento formal. Este documento solicitará que órgãos de fiscalização e controle, como o Tribunal de Contas do Estado (TCE), o Ministério Público da Paraíba (MPPB) e o Poder Judiciário, avaliem a situação e proponham ao Governo do Estado a efetivação da intervenção.
O objetivo principal da intervenção, segundo o parlamentar, seria permitir que a justiça promovesse um saneamento jurídico completo de todos os “percalços” que têm afligido a administração municipal. Após esse período de estabilização e reorganização, a ideia é que novas eleições sejam convocadas, garantindo um recomeço para a gestão pública da cidade. “Repetidamente Cabedelo está nas páginas policiais”, destacou Gonçalves, referindo-se à reportagem acompanhada pelo ClickPB e adaptada pela Rádio Salgado FM, o que reforça a percepção de uma crise institucional enraizada.
A Operação Cítrico, o estopim mais recente para a atual crise, é uma ação conjunta da Polícia Federal (PF), do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) do Ministério Público da Paraíba (MPPB) e da Controladoria-Geral da União (CGU). Lançada nesta terça-feira (14), a operação mirou um complexo esquema de fraudes em licitações, desvio de recursos públicos, lavagem de dinheiro e financiamento de organização criminosa. A envergadura das investigações resultou no afastamento de diversos gestores públicos, entre eles o recém-empossado prefeito Edvaldo Neto, intensificando o cenário de incerteza e revolta na população.
O cenário de insegurança política em Cabedelo não é novidade; ele se arrasta por mais de uma década. A cidade tem sido palco de frequentes trocas de comando, com prefeitos e vereadores sendo afastados de seus cargos ou envolvidos em processos judiciais. Essa instabilidade crônica gera um ambiente de desconfiança e impede o desenvolvimento de políticas públicas de longo prazo, impactando diretamente a vida dos moradores. A Operação Cítrico, nesse sentido, é apenas o capítulo mais recente de uma saga marcada por acusações de corrupção e desvio de conduta.
O deputado João Gonçalves também fez uma observação sobre o desânimo da população diante de tantos escândalos. Ele relatou ter visitado o pleito suplementar na cidade portuária no último domingo (12) e percebeu uma abstenção eleitoral sem precedentes. “Eu estive lá domingo, visitei e mandei nas minhas mídias sociais dizendo que devia ser a maior abstenção da história de Cabedelo. 13h da tarde não tinha 30% de pessoas votando”, disse o parlamentar durante sessão na Assembleia Legislativa da Paraíba. Esse dado é um reflexo claro da exaustão dos eleitores com a sucessão de crises e a percepção de que os problemas persistem, independentemente dos resultados das urnas.
Uma intervenção estadual, embora seja uma medida extrema, é prevista pela Constituição Federal em casos de grave comprometimento da ordem pública ou financeira de um município. Se aprovada, ela significaria a suspensão temporária da autonomia municipal, com o Governo do Estado nomeando um interventor para gerir a cidade. Tal ação, geralmente reservada para situações de extrema gravidade, sublinha a seriedade da crise que Cabedelo enfrenta. A decisão final dependeria da análise dos órgãos judiciais e de controle, que avaliariam a proporcionalidade e a necessidade de tal medida para restaurar a governabilidade e a lisura administrativa.
A proposta de João Gonçalves abre um novo capítulo na já conturbada história política de Cabedelo. Os próximos passos envolverão a formalização do requerimento, sua análise pelos órgãos competentes e, eventualmente, um posicionamento do Governo do Estado. Enquanto isso, a cidade permanece sob uma nuvem de incerteza, com a expectativa de que as investigações da Operação Cítrico continuem a avançar, revelando mais detalhes sobre o suposto esquema de corrupção. A população de Cabedelo, e de toda a Paraíba, aguarda ansiosamente por soluções que possam finalmente trazer estabilidade e transparência para uma das cidades mais estratégicas do litoral paraibano, com as informações sendo acompanhadas de perto pela Rádio Salgado FM.
