Ex-ministro e pré-candidato ao governo do Ceará afirma que definirá até maio se aceita convite do PSDB para concorrer ao Palácio do Planalto
O ex-ministro e ex-governador Ciro Gomes afirmou, neste sábado (25), que deve definir até o fim da primeira quinzena de maio se será candidato à Presidência da República. No momento, ele se coloca como pré-candidato ao governo do Ceará nas eleições de 2026. A declaração foi feita durante um encontro de pré-candidatos do PSDB, onde Ciro adotou um tom voltado ao cenário nacional, com críticas ao Judiciário e à polarização entre PT e PL. Segundo informações do Portal Polêmica Paraíba, adaptadas pela Rádio Salgado FM, a movimentação ganhou força após um convite formal feito pelo presidente nacional do partido, o deputado federal Aécio Neves, para que Ciro volte a disputar o Palácio do Planalto — o que seria sua quinta tentativa.
Ao comentar o cenário, o ex-presidenciável relembrou com frustração sua participação nas eleições de 2022, avaliando que enfrentou condições desfavoráveis. Apesar disso, disse que precisa considerar a possibilidade colocada pela legenda. “Na última eleição eu me senti profundamente humilhado por uma campanha fascista que me negou o próprio direito de participar. E eu, se tivesse juízo mesmo, não chegaria mais perto dessa quadra política fascista de lado a lado nem para dar os parabéns nem os pêsames. Nesse pleito é presidente ou governador. Um dos dois. No fim da primeira quinzena de maio, eu tomo a decisão”, adiantou.
O prazo estipulado por Ciro Gomes coloca o PSDB em uma posição de expectativa. A legenda, que já foi uma das maiores forças políticas do país, busca se reerguer após anos de perda de protagonismo. O convite de Aécio Neves a Ciro é visto como uma tentativa de unificar a centro-esquerda em torno de uma candidatura capaz de romper a polarização entre Lula (PT) e a direita representada pelo PL. Para os analistas, a decisão de Ciro terá impacto direto não apenas no cenário nacional, mas também nas eleições estaduais, especialmente no Nordeste, região onde o ex-ministro possui forte base eleitoral.
No Ceará, onde Ciro é pré-candidato ao governo, a indefinição gera incertezas nos bastidores políticos locais. Se optar pela disputa presidencial, o PSDB cearense precisará reorganizar suas alianças e buscar um novo nome para a corrida ao Palácio da Abolição. Caso contrário, Ciro concentrará esforços na tentativa de retornar ao governo estadual, cargo que ocupou entre 1991 e 1994. A situação é acompanhada de perto por lideranças paraibanas, uma vez que a movimentação de Ciro pode influenciar a formação de chapas e alianças regionais. Para os moradores de Salgado de São Félix e região, a decisão reflete um momento importante da política nacional, que pode definir os rumos de projetos e investimentos federais que afetam diretamente a vida das cidades do interior.
A declaração de Ciro também reacende o debate sobre a judicialização da política e as críticas ao sistema eleitoral. Em sua fala, ele mencionou ter sido “humilhado” por uma “campanha fascista” em 2022, referindo-se às polêmicas envolvendo sua participação em debates e a cobertura midiática. Esse discurso encontra eco entre eleitores insatisfeitos com a polarização, que buscam alternativas fora do eixo PT-PL. Apesar do tom duro, Ciro demonstrou abertura para dialogar com o PSDB, partido que integrou no passado e que agora o corteja como possível cabeça de chapa.
Nos bastidores, o convite de Aécio Neves é interpretado como um movimento estratégico do PSDB para sobreviver em um cenário de fragmentação partidária. O partido, que já elegeu dois presidentes da República (Fernando Henrique Cardoso), hoje busca se reposicionar como uma terceira via. A entrada de Ciro Gomes na disputa presidencial poderia atrair eleitores moderados e descontentes com a gestão atual. Por outro lado, há resistências dentro da própria legenda, especialmente entre alas mais conservadoras que não se identificam com o perfil nacionalista e de esquerda do ex-governador.
Enquanto aguarda a decisão de maio, Ciro Gomes segue cumprindo agenda de pré-candidato ao governo do Ceará. Ele participou de eventos em Fortaleza e no interior do estado, discutindo propostas nas áreas de educação, saúde e infraestrutura. A expectativa é que, independentemente da escolha, ele mantenha o discurso crítico à polarização e ao excesso de poder do Judiciário, temas que marcam sua trajetória política. A Rádio Salgado FM continuará acompanhando os desdobramentos dessa história, que promete agitar o cenário eleitoral de 2026 em toda a Paraíba e no Brasil.
