Ex-prefeito de Sousa é lançado de última hora e disputa com quatro pré-candidatos de peso; histórico familiar inspira, mas cenário é adverso

Segundo informações do portal de Nonato Guedes, adaptadas pela Rádio Salgado FM, o ex-prefeito de Sousa, André Gadelha (MDB), atual deputado estadual, empreende uma difícil jornada para se eleger senador na Paraíba. Concorrendo a uma das duas vagas em jogo no pleito de outubro, ele foi lançado de última hora pelo senador Veneziano Vital do Rêgo, presidente estadual do MDB e candidato à reeleição.

No cenário político paraibano, André não é tido como competitivo diante de quatro pré-candidaturas com chances reais: o próprio Veneziano, o ex-governador João Azevêdo (PSB), o ex-prefeito de Patos Nabor Wanderley (Republicanos) e o ex-ministro da Saúde Marcelo Queiroga (PL), este identificado como representante do bolsonarismo e das forças de direita. Ao contrário de Veneziano, que conta com influência na destinação de emendas e controle da máquina partidária, André não dispõe de uma rede de apoios de prefeitos e lideranças municipais, enfrenta restrições no próprio núcleo familiar e tem visíveis dificuldades de penetração junto aos eleitores de grandes centros como João Pessoa e Campina Grande.

Mesmo assim, aliados afirmam que uma derrota não faria grande diferença para ele, dados os obstáculos que igualmente teria para concorrer novamente à Assembleia Legislativa. Integrante de uma família política tradicional e influente na Paraíba, André admite os atropelos na jornada, mas parece resignado diante do espaço reduzido e promete ir até o fim, empenhando-se para reverter votos já prometidos ou assegurados.

A candidatura de André foi concebida como parte de uma estratégia do senador Veneziano para ampliar seus espaços no interior, principalmente no Sertão. Ele teria a função também de neutralizar, no município de Sousa e cidades-satélites, a ofensiva de Nabor Wanderley, pai do deputado Hugo Motta, presidente da Câmara dos Deputados e uma das figuras mais influentes da República. Hugo Motta chegou a confidenciar que analistas políticos estariam equivocados ao duvidar das chances do seu pai e deu sua palavra de que Nabor será um dos eleitos em outubro. O ex-prefeito de Patos concentra sua principal bandeira na defesa do municipalismo e tem procurado ajustar o ritmo de campanha com o de João Azevêdo.

Por sua vez, o senador Veneziano Vital do Rêgo, que em 2022 perdeu a eleição para governador mesmo com o apoio do presidente Lula (PT), preparou-se para ter uma participação mais ativa e decisiva neste pleito. Ele capitalizou a dissidência do prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena, e ofereceu-lhe legenda para ser candidato ao governo com a garantia de espaço. Como postulante à reeleição, Veneziano precisava de um nome forte para ancorar a chapa majoritária – e Cícero foi “capturado” para o MDB quando estava no auge das pesquisas de intenção de voto e no pleno exercício da máquina municipal. Os adversários insinuam que Cícero já estaria em queda livre no confronto com Lucas Ribeiro (PP) e Efraim Filho (PL), mas é certo que ainda mantém prestígio com parcelas do eleitorado.

A história política da Paraíba já viu um Gadelha ilustre vencer desafios. Em 1982, Marcondes Gadelha, ex-deputado federal do grupo “autêntico” do MDB que combateu o regime militar, rompeu com o partido e ingressou no PDS, sendo lançado ao Senado com as bênçãos do general João Baptista de Figueiredo, fazendo dobradinha com Wilson Braga. Braga e Marcondes foram eleitos. Em 1986, Marcondes aventurou-se ao governo do Estado, mas foi derrotado por Tarcísio Burity por quase 300 mil votos. Marcondes teve projeção nacional quando embarcou na chapa de Sílvio Santos à Presidência como candidato a vice, chapa impugnada em meio a pressões. Ele também se notabilizou pela defesa da transposição do rio São Francisco e hoje se mantém afastado das disputas partidárias. A trajetória de Marcondes mostra que, na política, surpresas podem acontecer, mas o cenário atual para André Gadelha é ainda mais adverso, com pouca capilaridade e forte concorrência.

Para os ouvintes da Rádio Salgado FM, que acompanham de perto os rumos da política paraibana, essa disputa ao Senado tem impacto direto no equilíbrio de forças no estado e nas decisões que afetam municípios como Salgado de São Félix. A cobertura jornalística continuará trazendo análises e informações verificadas sobre a evolução da campanha. Acompanhe e tire suas próprias conclusões sobre essa difícil empreitada de André Gadelha.

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