Capital paraibana vê preços dispararem e moradores sentem impacto no dia a dia; tendência pode refletir em cidades da região
Segundo informações da BBC, adaptadas pela Rádio Salgado FM, João Pessoa, capital da Paraíba, vive uma transformação acelerada. A chegada de jovens investidores e profissionais remotos tem impulsionado a valorização imobiliária e elevado o custo de vida, gerando impactos na rotina dos moradores. O preço médio do metro quadrado praticamente dobrou, passando de R$ 4,5 mil em 2019 para R$ 8 mil em 2026, segundo o índice FipeZap.
A publicitária Rebeca Cirino, de 39 anos, mudou-se de volta para João Pessoa há quatro anos em busca de qualidade de vida. Ela relata que o custo de vida aumentou significativamente nos últimos dois anos: ‘O coco era R$ 2 em 2022, agora já encontra por R$ 6 e até R$ 7’. Seu marido, o advogado Ezequiel Ribeiro, também sente o impacto em despesas básicas como mercado e restaurantes. Além disso, o trânsito piorou: ‘Um trajeto de carro de cinco minutos pode levar meia hora no horário de pico’, afirma Rebeca.
O crescimento populacional explica parte dessas mudanças. Dados do IBGE mostram que João Pessoa foi a quinta capital que mais ganhou habitantes no país, com taxa de crescimento de 1,19% ao ano, um acréscimo de 110 mil novos moradores em 12 anos. A cidade tem atualmente 833.932 habitantes. Esse influxo pressiona o mercado imobiliário e os serviços públicos.
A valorização imobiliária é notável. João Pessoa registrou a segunda maior alta entre as capitais brasileiras, com 15,15% em 12 meses, superada apenas por Salvador (16,25%). Foi a maior alta anual da história da cidade no índice FipeZAP. Bairros da orla, como Cabo Branco, chegam a R$ 12,3 mil por metro quadrado. O corretor Caio César de Queiroz Ferreira destaca que o perfil do comprador mudou: além de aposentados, jovens economicamente ativos e investidores estão comprando imóveis como ativos financeiros.
Para o geógrafo Alexandre Sabino do Nascimento, da UFPB, o planejamento urbano da cidade atende a interesses do mercado imobiliário. ‘Estão criando uma cidade para o mercado imobiliário’, afirma. Ele aponta que mudanças no Plano Diretor reduziram a participação popular, e o déficit habitacional é de cerca de 50 mil domicílios. Muitas famílias comprometem mais de 30% da renda com aluguel. A formação de ‘bancos de terra’ por incorporadoras reduz a oferta e eleva os preços.
Além dos problemas urbanos, a infraestrutura de saneamento não acompanhou o crescimento. Segundo o Instituto Trata Brasil, apenas 72,36% do esgoto é tratado. O pesquisador Joácio Morais Júnior alerta que o despejo irregular afeta rios e praias, podendo comprometer o turismo e a economia local. ‘Há risco real de danos irreversíveis’, diz.
A Prefeitura de João Pessoa afirma que investe em mobilidade, como o Complexo Viário Beira Rio, mas não comentou as críticas sobre planejamento voltado ao mercado imobiliário. A BBC também procurou a Cagepa, sem retorno.
Para os moradores de Salgado de São Félix e região, essa realidade serve de alerta. Embora a cidade do interior tenha dinâmica própria, o movimento de valorização imobiliária e aumento do custo de vida na capital pode refletir tendências regionais. A Rádio Salgado FM continuará acompanhando os desdobramentos e trazendo informações relevantes para a comunidade.
