Em defesa do juiz Glauco Coutinho, alvo da Operação Retomada, criminalista cobra fim do ‘tribunal da mídia’ e exige que provas sejam apresentadas nos autos do processo
O advogado criminalista paraibano Inácio Queiroz concedeu uma entrevista de grande repercussão ao programa Fantástico, no último domingo, para defender o juiz Glauco Coutinho, da Comarca de Gurinhém (PB). O magistrado é alvo da Operação Retomada, desencadeada em dezembro de 2024, e, segundo o advogado, tem sido vítima de acusações infundadas que prosperam apenas na esfera midiática. As declarações, adaptadas pela Rádio Salgado FM a partir de informações do portal Polêmica Paraíba, trazem à tona questionamentos sobre o silêncio do órgão acusador e a ausência de denúncia formal.
De acordo com Queiroz, as acusações amplamente divulgadas por setores da imprensa não correspondem à realidade. Ele destacou que a investigação mobilizou um aparato estatal considerável, com buscas e apreensões na residência e no gabinete do magistrado, recolhimento de celulares e computadores, quebra de sigilos e o afastamento do cargo. No entanto, passados quase dois anos do início da Operação Retomada, não há um único ato de investigação que tenha sido validado judicialmente — o órgão acusador silenciou nos autos e, até o momento, não apresentou denúncia formal contra o juiz, tampouco realizou seu interrogatório.
“O que existe hoje é uma acusação que prospera apenas no tribunal da mídia, não no Tribunal de Justiça”, sustentou o advogado, em trecho que ganhou destaque nacional. Queiroz cobrou do órgão acusador a formalização de eventual denúncia para que a defesa possa, nos autos, apresentar todas as provas que entende suficientes para afastar definitivamente as suspeitas. Ele foi além: “Rogamos ao órgão acusador que, em atendimento ao nome da operação — RETOMADA —, que a acusação retome ao processo, que é o lugar a se apresentar provas, e saia do tribunal da mídia. Este já determinou a sentença de morte do seu cliente, sob sua revelia”.
A contundente fala do criminalista ressoou entre operadores do Direito e moradores da Paraíba, que acompanham com atenção o desdobramento do caso. A ausência de denúncia formal e de provas concretas levanta dúvidas sobre a legalidade das medidas adotadas até aqui. A defesa ressalta que não combate investigações legítimas, mas reage às narrativas veiculadas publicamente sem que tenham sido apresentados indícios capazes de sustentar as graves acusações divulgadas em rede nacional.
Para a Rádio Salgado FM, a situação é particularmente relevante para os moradores de Salgado de São Félix e região, que acompanham de perto os desdobramentos do sistema judiciário paraibano. A comarca de Gurinhém, onde o juiz Glauco Coutinho atuava, fica a cerca de 60 quilômetros do município, e a transparência nos processos judiciais é uma preocupação constante da comunidade. A falta de esclarecimentos oficiais e a demora na apresentação de uma denúncia formal geram insegurança jurídica e alimentam especulações que podem comprometer a credibilidade das instituições locais.
O advogado Inácio Queiroz é conhecido por atuações de destaque em casos criminais na Paraíba. Sua entrevista ao Fantástico foi marcada pela firmeza ao cobrar que as acusações sejam formalizadas no âmbito judicial, permitindo que o caso seja debatido sob o crivo do contraditório e da ampla defesa — garantias fundamentais do Estado Democrático de Direito. Até o fechamento desta edição, o órgão acusador não se manifestou publicamente sobre a provocação feita pela defesa.
O Silêncio do Ministério Público ou de qualquer outra instituição acusadora nos autos contrasta com o barulho midiático que cercou a Operação Retomada desde seu início. Para Queiroz, essa assimetria precisa ser corrigida com urgência. “Se há provas, que sejam apresentadas no processo. Se não há, que se encerre o caso e se restabeleça a honra do juiz”, concluiu o advogado, em tom de desafio. A Rádio Salgado FM continuará acompanhando o caso e trará novas informações à medida que o processo evoluir, sempre com o compromisso de levar à população notícias verificadas e contextualizadas.
