História de amor e acolhimento inspira famílias em Salgado de São Félix e região
Neste 25 de maio, Dia Nacional da Adoção, histórias de amor, acolhimento e construção de família ganham ainda mais significado. Foi assim com a cuidadora de idosos Dayene Tavares e o engenheiro elétrico Jefferson Lira, que realizaram o sonho da adoção após oito anos de espera na fila do Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento (SNA). Com apoio da Defensoria Pública do Estado da Paraíba (DPE-PB), por meio do Núcleo Especial de Proteção à Infância e Juventude (NEPIJ), o casal conseguiu finalizar o processo e hoje celebra a chegada do pequeno João, atualmente com oito meses de vida.
Dayene e Jefferson receberam o João quando ele tinha apenas dois meses de vida, em 29 de setembro de 2025. “A gente recebeu uma ligação numa sexta-feira, dizendo que ele tinha sido vinculado à gente, que a gente era o casal da vez. Foi uma emoção e mudou tudo, assim, é maravilhoso. A gente tinha uma vida na sexta-feira e, depois da sexta-feira, depois das 8h, a gente começou a ter outra vida. Eu me pergunto: ‘como é que eu pude viver tanto tempo sem ele?’”, relembra Dayene.
Durante a etapa final do processo de adoção, a família contou com a assistência jurídica gratuita da DPE-PB. “A defensoria nos ajudou para finalizar o processo. No final do processo, ela me ajudou bastante. A gente veio aqui para finalizar o processo, precisou de algumas coisas e a defensoria nos ajudou com isso. E deu tudo certo. Porque a gente sabia que, na hora certa, no tempo certo, iria dar tudo certo. Foi o que aconteceu”, conta.
Para Dayene, o vínculo construído com João ultrapassa qualquer definição. “Eu já engravidei, já perdi e, para mim, não existe diferença. João é o amor da minha vida. Eu não consigo olhar para ele de uma forma, ah, ele é adotado. Não. Eu o amo com todas as minhas forças. É um amor que eu não sei explicar.” Ela lembra com emoção o primeiro encontro com o filho. “Na primeira vez que ele olhou para mim, assim, sabe, como apaixonado, ele me olhou com um olhar de apaixonado, que eu disse: ‘Meu Deus, como é que pode uma coisa dessa?’”
Segundo Dayene, a adoção representa um ato de amor, responsabilidade e acolhimento. “Eu tenho uma amiga que diz assim para mim: ‘Ele estava procurando uma mãe e você estava procurando um filho, e vocês se encontraram’. Eu sei da responsabilidade que é, a partir de agora, desde o dia, na verdade, em que ele foi vinculado para a gente, da responsabilidade que a gente tem como pais.”
A experiência da família também inspirou outras pessoas próximas a iniciarem o processo de habilitação para adoção. “Eu tenho algumas amigas que, depois da nossa adoção, entraram e se habilitaram. Tenho uma amiga que se habilitou recentemente e mais dois casais que estão pensando na questão da adoção. Eu acredito que é amor, é você dar uma oportunidade a uma criança.”
Hoje, a rotina da família é marcada por afeto, cuidado e gratidão. “É uma experiência única, de verdade. É o nosso bem maior. É a nossa casa, nossa família. É um sentimento de gratidão, é um sentimento de felicidade, é um sentimento de família, sabe? Eu e meu esposo éramos uma família, e João chegou para acrescentar à nossa família.”
ATUAÇÃO DA DEFENSORIA – A coordenadora do NEPIJ, defensora pública Mariane Fontenelle, explica como a Defensoria pode auxiliar famílias durante o processo de adoção. “A Defensoria vai prestar orientação jurídica preliminar para habilitação no processo de adoção às pessoas que não têm condições de constituir um advogado para tanto, além de atuar no processo de adoção, uma vez instaurado”, destacou.
A defensora também ressalta a atuação da instituição em casos de vínculos familiares já consolidados ao longo do tempo. “É importante ressaltar ainda a possibilidade da Defensoria propor ações de adoção para regularizar situações fáticas que já estejam consolidadas ao longo do tempo”, explica Mariane. Segundo ela, isso acontece, por exemplo, em situações em que crianças e adolescentes são criados por determinadas famílias durante muitos anos e desejam regularizar oficialmente o vínculo familiar e afetivo já existente.
NEPIJ – O Núcleo está localizado na Rua Monsenhor Walfredo Leal, nº 503, no bairro de Tambiá, em João Pessoa. O horário de atendimento acontece de segunda a sexta-feira, das 8h às 14h. O telefone para contato é (83) 98654-2887 (WhatsApp) ou pelo e-mail: nepij@defensoria.pb.def.br.
Para os moradores de Salgado de São Félix e cidades vizinhas, a história de Dayene e Jefferson serve como exemplo de que o amor e a perseverança podem transformar vidas. A Defensoria Pública da Paraíba, que atua em todo o estado, também presta assistência a famílias da região interessadas na adoção. O Núcleo Especial de Proteção à Infância e Juventude (NEPIJ) está disponível para orientar e apoiar quem deseja iniciar o processo de habilitação ou regularizar uma situação de acolhimento familiar. A espera pode ser longa, mas, como mostra o casal, o encontro entre pais e filhos adotivos é um momento único que vale cada dia de espera.
