Deputado federal paraibano defendeu a proposta como ‘debate aberto’ após forte repercussão negativa nas redes sociais

O deputado federal Cabo Gilberto Silva (PL-PB) tentou justificar, nesta quinta-feira (21), o apoio à emenda apresentada durante a discussão da PEC que trata do fim da escala 6×1, após a forte repercussão negativa do texto nas redes sociais. A proposta, apresentada pelo deputado Sérgio Turra (PP-PR), criava brechas para jornadas de até 52 horas semanais e ainda adiava por dez anos a redução da carga horária dos trabalhadores. Diante das críticas, líderes de partidos do Centrão solicitaram nesta quarta-feira (20) a retirada da tramitação da emenda.

Ao comentar o assunto, Cabo Gilberto afirmou que a proposta ainda está em debate e negou qualquer recuo de sua parte. “Que a gente afinou foi uma emenda para ter o debate, não teve aprovação nenhuma, está tudo do mesmo jeito ainda. A comissão está aberta, estamos debatendo para entregar um texto mais justo à população brasileira”, declarou. A declaração foi feita durante entrevista a uma rádio local e repercutiu entre os eleitores de sua base, especialmente na Paraíba.

A emenda em questão gerou polêmica por permitir que empregadores e empregados negociassem jornadas superiores ao limite constitucional de 44 horas semanais, desde que houvesse compensação em outros dias. Na prática, isso poderia levar a jornadas de até 52 horas, o que foi visto por sindicatos e movimentos trabalhistas como um retrocesso nos direitos conquistados. O texto também previa um período de transição de dez anos para a redução da carga horária, algo considerado excessivo por especialistas.

Para os moradores de Salgado de São Félix e região, a discussão tem impacto direto, já que muitos trabalhadores atuam em setores como comércio, indústria e serviços, onde escalas longas são comuns. A possibilidade de ampliação da jornada máxima preocupa lideranças sindicais locais, que veem risco de precarização das condições de trabalho. O deputado Cabo Gilberto, que representa a Paraíba na Câmara, é uma figura conhecida na região, e sua posição sobre o tema tem gerado debates acalorados entre eleitores.

O Centrão, grupo político que articulou a retirada da emenda, busca evitar desgaste em ano eleitoral. A PEC do fim da escala 6×1, de autoria da deputada Erika Hilton (PSOL-SP), tem apoio popular, mas enfrenta resistência de setores empresariais. Em nota, o líder do governo na Câmara afirmou que “a emenda não representa a vontade da maioria” e que “o diálogo será retomado para construir um texto equilibrado”.

Cabo Gilberto, por sua vez, afirmou que continuará defendendo “o que é melhor para o trabalhador brasileiro” e que a emenda foi mal interpretada. “Ninguém quer aumentar a jornada de ninguém. Queremos é dar flexibilidade para quem precisa negociar horários diferentes”, argumentou. Críticos, no entanto, apontam que a redação permitiria abusos e que a proteção ao trabalhador seria fragilizada.

A Rádio Salgado FM continuará acompanhando o desenrolar dessa discussão no Congresso Nacional. Enquanto isso, a população de Salgado de São Félix e cidades vizinhas deve ficar atenta às próximas movimentações, pois qualquer mudança na legislação trabalhista pode afetar diretamente a vida de milhares de famílias da região. O debate sobre a escala 6×1 e a jornada de 52 horas ainda está longe de um desfecho, e a participação popular é fundamental para garantir que os direitos dos trabalhadores sejam preservados.

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