Quatro analistas ouvidos pela Rádio Salgado FM detalham os possíveis nomes para vice de Lucas Ribeiro e as movimentações do grupo Cunha Lima, que pode se dividir pela primeira vez em Campina Grande.
A pré-campanha para o governo da Paraíba em 2026 já movimenta os bastidores da política estadual, com um dos principais pontos de atenção sendo a indefinição dos nomes que disputarão o cargo de vice-governador. Segundo informações do portal Polêmica Paraíba, adaptadas pela Rádio Salgado FM, o atual governador Lucas Ribeiro ainda não definiu seu companheiro de chapa, enquanto na oposição, o senador Efraim Filho aguarda a definição de Juliana Cunha Lima, e o prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena, já tem o vice definido: Diogo Cunha Lima.
Para analisar os desdobramentos, a reportagem conversou com quatro jornalistas políticos de destaque no estado: Adriana Bezerra, Gildo Araújo, Alan Kardec e Fábio Bernardo. Cada um traz perspectivas distintas sobre o cenário, que pode impactar diretamente a população de cidades como Salgado de São Félix e toda a região do Brejo e Curimataú.
Vice de Lucas Ribeiro: entre a força política e a renovação
Quando o assunto é o candidato mais forte para compor a chapa de Lucas Ribeiro, os nomes mais citados são o presidente da Assembleia Legislativa, Adriano Galdino (Republicanos), e a ex-secretária Rafaela Camaraense. No entanto, as opiniões divergem sobre qual perfil seria o mais adequado.
Adriana Bezerra, jornalista com passagem por diversos veículos do estado, defende a importância de uma vice mulher e progressista. “Dá mais legitimidade à aliança com o PT/Lula e reduz um pouco esse sentimento de perda de poder de escolha que a saída de cena do progressismo trouxe para essa eleição”, argumenta. Ela lembra que a Paraíba foi comandada por políticos progressistas por mais de 20 anos, ciclo encerrado com a saída de João Azevedo.
Já Gildo Araújo, cientista social e blogueiro de Alagoa Grande, aponta duas possibilidades que dariam a Lucas maior chance de vitória. A primeira é Ruy Carneiro (Podemos), que já é conhecido em João Pessoa e região metropolitana e poderia “dar um check mate” em Romero Rodrigues, outro nome do Podemos. A segunda é Adriano Galdino, por sua capacidade de articulação com os deputados estaduais. Gildo também menciona Rafaela Camaraense como uma representante feminina forte, com família política influente no Curimataú.
Alan Kardec, especialista em marketing político e responsável pelo blog PolitiKa, acredita que a questão geopolítica deve prevalecer. “O vice de Lucas Ribeiro venha a representar João Pessoa em uma chapa que já conta com um campinense”, diz. Ele aposta no deputado estadual Luciano Cartaxo (Republicanos) como o melhor nome por agregar experiência e confiança.
Fábio Bernardo, radialista e fundador do portal Paraíba Já, reforça que Adriano Galdino é o nome mais forte atualmente, por reunir experiência administrativa e força política, mas alerta que a escolha pode ser de perfil mais moderno, o que favoreceria Rafaela. “Caso não seja nenhum dos dois, provavelmente haverá um fato novo importante, quem sabe um nome fora da política ou alinhado à oposição”, analisa.
Divisão dos Cunha Lima: campina grande como campo de batalha
Outro ponto abordado pelos jornalistas é a presença de dois Cunha Lima em chapas adversárias. Enquanto Diogo Cunha Lima é vice de Cícero Lucena, Juliana Cunha Lima, esposa do prefeito Bruno Cunha Lima, é cotada para ser vice de Efraim Filho. Essa situação, inédita, pode gerar uma divisão interna no clã político de Campina Grande.
Adriana Bezerra avalia que o espólio político dos Cunha Lima está dividido — Bruno com Efraim, Diogo com Cícero, e Pedro sem colocar seu espólio no tabuleiro — o que dilui a força do grupo e favorece Lucas Ribeiro, que é natural de Campina Grande.
Gildo Araújo destaca que a movimentação mostra desconfiança na vitória de Cícero pelo grupo. “Cícero não tem uma estrutura e, como não tinha mais opção, aceitou o nome de Diogo”, afirma. Para ele, Juliana Cunha Lima é a aposta de Efraim, por coerência política com Bruno.
Alan Kardec vê a divisão como algo que tende a tornar Lucas Ribeiro o mais votado no primeiro turno, mas alerta que a união das duas facções no segundo turno pode formar uma frente forte contra o governador.
Fábio Bernardo conclui que a disputa interna deve transformar Campina Grande no principal campo de batalha da eleição de 2026. “Bruno tentará mostrar força com Juliana, enquanto Cássio e Pedro Cunha Lima buscarão manter protagonismo ao lado de Diogo”, explica. Essa divisão, no entanto, pode favorecer Lucas, que pode crescer enquanto os grupos do clã Cunha Lima disputam espaço.
Impacto para Salgado de São Félix e região
Embora a disputa ocorra em âmbito estadual, as escolhas dos vices terão reflexos diretos em Salgado de São Félix e municípios vizinhos. A composição das chapas define alianças que impactam repasses, emendas e projetos para a região. A indefinição sobre nomes como Adriano Galdino (que tem base no Brejo) ou Rafaela Camaraense (do Curimataú) pode significar mais ou menos atenção para as demandas locais. A população acompanha atenta os próximos capítulos dessa pré-campanha, que promete movimentar a política paraibana até outubro de 2026.
Fonte: Polêmica Paraíba, adaptado pela Rádio Salgado FM.
