Em missa transmitida ao vivo, religioso reconhece ofensas e se retrata; acordo evitou pagamento de R$ 370 mil.

O padre Danilo César, da paróquia de Areial, na Paraíba, pediu desculpas públicas à família de Preta Gil durante uma missa realizada no domingo (10), Dia das Mães. O pedido de retratação ocorreu após um acordo judicial firmado na Justiça Cível do Rio de Janeiro, que pôs fim a uma ação por danos morais movida pela família da cantora. O religioso havia proferido declarações consideradas ofensivas contra Preta Gil e religiões de matriz africana em julho do ano passado.

Na homilia, transmitida ao vivo pelo YouTube, o padre leu integralmente o texto acordado: “Reconheço que, na homilia proferida em 27 de julho de 2025, minhas palavras foram ofensivas, inadequadas e que, por minha imprudência, causaram dor aos familiares de Preta Gil, motivo pelo qual lamento e me retrato publicamente”, disse. Ele citou nominalmente Gilberto Gil, Flora Gil e outros integrantes da família, além de pedir desculpas à memória de Preta Gil.

O caso ganhou repercussão nacional por envolver um líder religioso em um discurso de intolerância contra as religiões de matriz africana, como o candomblé e a umbanda. Durante a mesma missa, o padre afirmou que “a liberdade religiosa é um dos pilares dos direitos humanos” e que é necessário “respeitar todas as pessoas que creem de forma diferente”. A declaração contrasta com as falas anteriores que geraram a polêmica.

Além do acordo com a família Gil, que evitou o pagamento de R$ 370 mil em danos morais, o padre também firmou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Ministério Público Federal (MPF) para não responder criminalmente. Como contrapartida, ele deve prestar serviços comunitários, incluindo a doação de oito cestas básicas para uma instituição social, além de participar de cursos sobre direitos humanos e ministrar palestras sobre tolerância religiosa.

Para os moradores de Salgado de São Félix e região, o caso serve como um alerta sobre a importância do respeito à diversidade religiosa. A cidade, assim como Areial, faz parte do estado da Paraíba, onde a presença de religiões de matriz africana é significativa. A retratação pública de um sacerdote católico é vista como um passo importante no combate à intolerância, mas também levanta discussões sobre a responsabilidade de líderes religiosos em suas pregações. A Rádio Salgado FM acompanha o desdobramento desse episódio, que tem grande repercussão na comunidade local.

O vídeo da missa, disponível no YouTube, mostra o momento em que o padre lê o pedido de desculpas. A transmissão foi exigida como parte do acordo, para que a retratação ocorresse no mesmo palco onde as ofensas foram proferidas. A família Gil ainda não se manifestou oficialmente após o pedido, mas a ação foi encerrada com a homologação do acordo pela Justiça. O padre Danilo César, que permanece à frente da paróquia de Areial, não comentou se sofrerá sanções eclesiásticas. A Diocese local ainda não se pronunciou sobre o caso.

Enquanto isso, a comunidade acompanha o desdobramento desse episódio que marcou o debate sobre liberdade religiosa na Paraíba e no Brasil. A retratação, embora tardia, é vista como um gesto de reparação. Cabe agora à sociedade e às instituições religiosas refletirem sobre o discurso de ódio e a importância do diálogo inter-religioso.

Com informações do Jornal da Paraíba, adaptadas pela Rádio Salgado FM.

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