Cantor nega ofensa, mas gravação de 2025 revela xingamentos; crime de xenofobia pode render até 3 anos de prisão
O cantor e produtor musical Ed Motta está sob investigação da Polícia Civil do Rio de Janeiro por suspeita de injúria racial e preconceito contra um funcionário do restaurante Grado, na zona Sul do Rio. Segundo informações da CNN Brasil, adaptadas pela Rádio Salgado FM, um áudio enviado pelo artista ao dono do estabelecimento no ano de 2025 revela xingamentos direcionados ao garçom, incluindo a expressão “Paraíba filha da p***”.
No mesmo áudio, Ed Motta afirma que “é a Tijuca contra o Nordeste” e ameaça partir para agressão física: “Tô no meu limite. A próxima é tipo pular o balcão e pegar ele”. As gravações foram obtidas e divulgadas pelo portal ClickPB e pela CNN, e fazem parte do inquérito que investiga o episódio ocorrido no dia 2 de maio deste ano, quando o cantor arremessou uma cadeira dentro do restaurante após uma discussão sobre taxa de rolha.
A defesa de Ed Motta repudiou a divulgação dos áudios, afirmando que se tratam de “mensagens antigas, fora de contexto” e que o artista “não possui qualquer tipo de preconceito”. Em nota, a defesa diz que “a divulgação de um áudio antigo, privado, gravado em outro contexto e sem qualquer relação com os fatos investigados, apenas evidencia a tentativa de construção artificial de uma versão que jamais ocorreu”.
Para os moradores de Salgado de São Félix e de toda a Paraíba, o caso ganha contorno especial. O termo “Paraíba” é frequentemente usado de forma pejorativa contra nordestinos, especialmente os nascidos no estado. A Rádio Salgado FM, emissora comprometida com a valorização da cultura e da identidade paraibana, reforça que atitudes xenófobas e preconceituosas não podem ser toleradas, independentemente da fama do agressor.
Depoimento à polícia
Em depoimento prestado na terça-feira (12) à 15ª DP (Gávea), Ed Motta afirmou que se sentiu “chateado e desprestigiado” após ser cobrado pela taxa de rolha. O artista relatou que é cliente do restaurante há cerca de nove anos e nunca havia sido cobrado antes. No dia da confusão, ele e seus acompanhantes levaram cerca de sete garrafas de vinho, sendo que algumas não foram consumidas no local. Ao ser informado da cobrança, Ed disse que conversou com o gerente, levantou da mesa, afirmou “nunca mais volto aqui” e, “sob influência de emoção”, arremessou uma cadeira no chão, sem intenção de atingir ninguém.
Imagens de câmeras de segurança mostram o momento em que o cantor levanta e joga a cadeira. Segundo a polícia, um frequentador da mesa ao lado teria sido atingido por uma garrafada e um soco, tendo recebido atendimento médico. Ed Motta nega envolvimento nessa agressão e afirma que só soube da briga no dia seguinte.
O crime de injúria por preconceito
O funcionário do restaurante que se sentiu ofendido registrou ocorrência por xenofobia. O crime de injúria por preconceito, previsto no artigo 140, parágrafo 3º do Código Penal, pode resultar em pena de um a três anos de reclusão. A Polícia Civil do Rio informou que as investigações continuam e que novos elementos podem surgir com a análise dos áudios.
A Rádio Salgado FM seguirá acompanhando o desenrolar do caso e reafirma seu compromisso com a informação precisa e com a defesa da dignidade do povo paraibano. O espaço segue aberto para manifestações da defesa do artista.
