Manifestação na manhã desta quarta-feira (13) interditou cruzamento movimentado e cobra diálogo com a gestão municipal; categoria ameaça permanecer até ser ouvida.
Vendedores ambulantes realizaram um protesto na manhã desta quarta-feira (13) e bloquearam o cruzamento da Rua Marcionilda da Conceição com a Avenida Epitácio Pessoa, no bairro de Tambaú, em João Pessoa. A mobilização, que começou por volta das 7h, interditou totalmente o trânsito no sentido bairro-Centro, gerando longos congestionamentos na região. Durante o ato, os manifestantes queimaram pneus e impediram o fluxo de veículos, enquanto seguravam faixas pedindo negociação com a Prefeitura Municipal de João Pessoa.
Segundo informações do Portal de Notícias adaptadas pela Rádio Salgado FM, cerca de 100 trabalhadores participam da manifestação. O grupo afirma que só deve encerrar a mobilização após a abertura de diálogo com representantes da gestão municipal. “Queremos ser ouvidos. Não adianta só apreender nossas mercadorias e nos tirar da orla sem oferecer alternativas”, declarou um dos líderes do movimento, que preferiu não se identificar.
Equipes da Superintendência Executiva de Mobilidade Urbana de João Pessoa (Semob-JP) estão no local orientando motoristas e organizando desvios no trânsito. A orientação é que os condutores evitem a região e utilizem rotas alternativas, como a Avenida Beira Rio e a Rua Sólon de Lucena. Já a Polícia Militar da Paraíba acompanha a manifestação de forma pacífica, sem registro de confrontos até o momento.
O protesto ocorre dois dias após outra mobilização realizada nas imediações do Terminal de Integração da Lagoa, no Centro da Capital. Na ocasião, ambulantes também interditaram vias públicas e queimaram materiais em protesto contra ações de fiscalização e apreensão de mercadorias. Aquele ato terminou sem acordo, o que motivou a nova paralisação desta quarta-feira.
O impasse entre a categoria e a Prefeitura de João Pessoa vem se intensificando nas últimas semanas, principalmente após o reforço das fiscalizações na orla e em áreas centrais da cidade. Os ambulantes denunciam que as abordagens são abusivas e que muitos perderam seus estoques sem qualquer compensação. A administração municipal, por sua vez, alega que as ações seguem a legislação e visam coibir o comércio irregular e a ocupação desordenada dos espaços públicos.
O debate ganhou maior repercussão após o Ministério Público da Paraíba (MPPB) instaurar procedimento para acompanhar a ocupação irregular nas praias de Cabo Branco e Tambaú. Além disso, a gestão municipal passou a intensificar medidas previstas em um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado anteriormente com representantes dos ambulantes. O TAC estabelece regras para a atividade na orla, como áreas delimitadas e horários específicos, mas a categoria alega que as condições impostas são inviáveis.
Para os moradores e ouvintes de Salgado de São Félix e região, a situação em João Pessoa serve de alerta sobre como conflitos urbanos podem impactar a rotina de quem precisa se deslocar diariamente para a capital. Muitos salgadenses trabalham ou estudam em João Pessoa e dependem das vias bloqueadas para chegar aos seus destinos. A Rádio Salgado FM recomenda que os ouvintes que precisarem viajar para a capital nesta quarta-feira busquem informações atualizadas sobre o trânsito antes de sair, e, se possível, evitem horários de pico ou utilizem transportes alternativos.
O protesto também reacende o debate sobre a regulamentação do trabalho ambulante em cidades médias e pequenas. Em Salgado de São Félix, a atividade é comum, especialmente em eventos religiosos e feiras livres. A prefeitura local mantém um cadastro de permissionários e realiza fiscalizações periódicas, mas sem os mesmos níveis de conflito registrados na capital. Representantes da Associação Comercial de Salgado de São Félix afirmam que acompanham o caso com atenção e esperam que o diálogo prevaleça em João Pessoa, servindo de exemplo para outras cidades.
Especialistas em mobilidade urbana consultados pela Rádio Salgado FM destacam que o fechamento de vias em protestos legítimos, embora seja um direito constitucional, precisa ser equilibrado com o direito de ir e vir dos cidadãos. “A interdição total de uma avenida como a Epitácio Pessoa, que é uma das principais de João Pessoa, causa um impacto enorme. O ideal é que haja negociação prévia para definir rotas e horários que minimizem os transtornos”, avaliou o urbanista Carlos Augusto, professor da Universidade Federal da Paraíba.
A Rádio Salgado FM seguirá acompanhando o desdobramento do protesto e trará novas informações assim que houver avanços nas negociações ou mudanças na situação do trânsito. A emissora reforça seu compromisso com a informação precisa e de interesse da comunidade salgadense.
