Enquanto João Azevêdo e Lucas Ribeiro defendem o investimento, Cícero Lucena e Ricardo Coutinho questionam a utilidade do empreendimento e pedem foco em áreas como segurança hídrica

De acordo com informações divulgadas pelo portal Polêmica Paraíba e adaptadas pela Rádio Salgado FM, a construção do Complexo Rodoviário Ponte do Futuro, orçado em R$ 465,5 milhões, tornou-se o centro de um acirrado debate político na Paraíba. De um lado, o ex-governador e pré-candidato ao Senado João Azevêdo (PSB) e o governador Lucas Ribeiro (PP) defendem a obra como um marco para a mobilidade e o desenvolvimento econômico da Região Metropolitana de João Pessoa. Do outro, o ex-prefeito da Capital e pré-candidato ao Governo do Estado, Cícero Lucena (MDB), e o ex-governador Ricardo Coutinho (PT) questionam a prioridade e a utilidade do empreendimento.

Em entrevista à Rádio Sousa FM, Cícero Lucena ironizou o nome do projeto ao afirmar que a Ponte do Futuro serviria para “ir para a Lua”. Ele declarou: “Tudo que é do futuro, né? Vai para a Lua. Deve ser lançamento para a Lua, porque é Ponte do Futuro. Eu faria com esse mesmo valor a transposição das águas do Rio São Francisco para o Vale do Piancó.” O prefeito voltou a defender que investimentos públicos precisam priorizar áreas consideradas mais urgentes, principalmente relacionadas à segurança hídrica do Sertão paraibano. “Isso é função do gestor: ouvir ideias, debater ideias e definir prioridades”, afirmou.

As críticas de Cícero se somaram às declarações de Ricardo Coutinho, que afirmou em participação em um podcast que não construiria a ponte. “Não fiz na época e hoje não faria de novo”, declarou o ex-governador ao comentar o projeto. Segundo Ricardo, a obra atenderia principalmente interesses imobiliários de alto padrão, enquanto o estado teria outras prioridades mais urgentes.

As declarações provocaram reação entre moradores e lideranças políticas de Lucena, município diretamente beneficiado pela obra. Integrantes do grupo político ligado ao atual governo passaram a defender que a Ponte do Futuro representa oportunidade de desenvolvimento econômico e expansão turística para a região.

Enquanto o debate político cresce, o Governo do Estado segue destacando o avanço físico da obra. Em publicação nas redes sociais no início do ano, João Azevêdo afirmou que o empreendimento já ultrapassou 50% de execução e classificou o projeto como o maior da engenharia paraibana. “As obras da Ponte do Futuro já ultrapassaram 50% de execução. É nesse ritmo que seguimos avançando com o maior projeto de engenharia da história da Paraíba. Mais um sonho que sai do papel e abre novos caminhos entre Cabedelo, Santa Rita e Lucena”, escreveu o governador. Segundo o Departamento de Estradas de Rodagem da Paraíba (DER-PB), as obras chegaram a 97% das fundações concluídas. O órgão informou que equipes atuam atualmente na mesoestrutura e superestrutura do complexo, com execução de travessas, concretagem de lajes e lançamento de vigas.

O projeto conta com recursos próprios do estado no valor de R$ 465,5 milhões e prevê a construção de duas pontes. A principal terá cerca de 2,1 quilômetros de extensão e fará a ligação direta entre a BR-230, em Cabedelo, e a BR-101 Norte. A estrutura contará com pista de rolamento, acostamento, ciclovia, passeio para pedestres e um mirante. A segunda ponte será construída sobre o Rio da Guia, em Lucena. Além das pontes, o complexo inclui o prolongamento da PB-011 entre Forte Velho e Lucena, além de adequações na PB-025 até a BR-101.

A expectativa do Governo da Paraíba é que a obra reduza distâncias, melhore a mobilidade urbana e impulsione o desenvolvimento econômico da Região Metropolitana de João Pessoa. Para moradores de Salgado de São Félix e região, a discussão sobre a Ponte do Futuro serve como lembrete da importância de definir prioridades que atendam às necessidades reais da população, como segurança hídrica e infraestrutura básica. Embora a obra esteja distante geograficamente, o debate sobre a alocação de recursos bilionários ecoa em todos os municípios paraibanos, onde demandas locais por investimentos em saúde, educação e estradas ainda são urgentes. A Rádio Salgado FM continuará acompanhando os desdobramentos desse impasse político e seus reflexos para o estado.

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