Conheça a trajetória da professora e advogada que desafiou os padrões do início do século XX e deixou um legado de luta pelos direitos das mulheres.
Segundo informações do portal Polêmica Paraíba, adaptadas pela Rádio Salgado FM, a história de Catharina Moura é um exemplo de determinação e pioneirismo que ecoa até os dias de hoje. Nascida em 20 de dezembro de 1882, na cidade da Parahyba (atual João Pessoa), Catharina perdeu o pai, Misael Augusto do Rego Moura, antes de completar dois anos. Mas isso não a impediu de trilhar um caminho extraordinário.
Formação e primeiros passos – Depois de se formar normalista (professora) e realizar os estudos preparatórios no Lyceu Paraibano, Catharina ingressou na Faculdade de Direito do Recife. Em 1914, tornou-se a única mulher entre os 48 formandos de sua turma e, mais importante, a primeira paraibana a concluir um curso superior. Um feito que, na época, representava uma verdadeira revolução silenciosa.
Atuação pública e feminismo – A presença de Catharina na vida intelectual da Paraíba ganhou destaque em 1913, durante a experiência da Universidade Popular da Parahyba, iniciativa estimulada pelo governo de João Pereira Castro Pinto (1912-1915). O projeto promovia conferências no Teatro Santa Roza sobre temas de interesse geral. Entre médicos, juristas, professores e homens de letras, estava Catharina Moura.
No dia 30 de março de 1913, ela subiu ao palco para proferir a conferência “Os Direitos da Mulher”. O texto foi publicado integralmente pelo jornal A União, tornando-se uma das manifestações mais antigas e consistentes do pensamento feminista na Paraíba. Com cautela, mas com firmeza, Catharina denunciou a educação limitada imposta às mulheres, a desigualdade de oportunidades, a falta de acesso ao trabalho digno e a ausência de participação feminina na vida pública. Uma ousadia para os padrões conservadores do início do século XX.
Legado e reconhecimento – A memória de Catharina Moura é perpetuada pelo livro “Catharina Moura e o feminismo na Parahyba do Norte”, dos professores Charliton José dos Santos Machado, Maria Lúcia da Silva Nunes e Márcia Cristiane Ferreira Mendes. A obra resgata detalhes de sua vida e de sua militância. Além disso, a Câmara Municipal de João Pessoa decidiu nomear uma escola da capital como Catharina Moura Amstein (sobrenome que compõe outra parte de sua história, com episódios no Piauí). Catharina faleceu em 6 de abril de 1955, no Rio de Janeiro, mas seu exemplo permanece vivo.
Conexão com Salgado de São Félix e região – Para os moradores de Salgado de São Félix e cidades vizinhas, conhecer a trajetória de Catharina Moura é um convite à reflexão sobre o papel da mulher na sociedade e a importância da educação como ferramenta de transformação. Assim como ela, muitas mulheres paraibanas – inclusive da nossa região – lutam diariamente por igualdade de oportunidades e reconhecimento. A história de Catharina nos lembra que a coragem de uma única pessoa pode abrir caminhos para gerações inteiras. Que seu legado inspire novas conquistas em nossa comunidade.
Fonte: Sérgio Botelho, via Polêmica Paraíba. Adaptado pela Rádio Salgado FM.
