Ex-governador aponta distorções no uso de recursos federais e defende rediscussão do orçamento para priorizar projetos de desenvolvimento regional, com impacto direto em municípios como Salgado de São Félix.
Em entrevista ao programa Polêmica Paraíba, reproduzida pelo portal de Nonato Guedes e adaptada pela Rádio Salgado FM, o ex-governador João Azevêdo (PSB) trouxe à tona um tema que muitos políticos preferem evitar: as emendas parlamentares. Sem condenar o instrumento em si, Azevêdo criticou os critérios de distribuição, especialmente as chamadas ‘emendas Pix’ — transferências diretas sem transparência — e defendeu que o papel de um senador vai muito além de atuar como despachante de recursos para os municípios.
Segundo o ex-governador, os congressistas vêm usando as emendas como moeda de troca política, pulverizando verbas em obras pontuais que não geram impacto estrutural. ‘Hoje se pulveriza os recursos em pequenas obras que não atendem ao conjunto das demandas’, afirmou. Ele lembrou que o montante nas mãos do Congresso já chega a cerca de R$ 50 bilhões, e que o Executivo precisa ter seu papel de gestor público restaurado.
A crítica de Azevêdo ressoa em todo o país, mas tem efeitos diretos em cidades como Salgado de São Félix, na Paraíba. Pequenos municípios frequentemente dependem dessas emendas para viabilizar obras de infraestrutura, saúde e educação. No entanto, a falta de critérios técnicos e a lógica de ‘troca de favores’ muitas vezes deixam de fora projetos de longo prazo que poderiam transformar a realidade local. ‘Precisamos rediscutir a forma como se usa os recursos do orçamento junto aos Estados’, sugeriu o ex-governador.
Para Azevêdo, a prioridade dada à disputa de poder com o Executivo faz com que grandes temas nacionais fiquem de lado. Ele citou o potencial das energias renováveis no Nordeste como um exemplo de pauta estratégica que não ganha o devido espaço no Parlamento. ‘Qual é o grande projeto de desenvolvimento de futuro que está sendo discutido? Não há nenhum’, questionou, se propondo a ser um porta-voz de projetos estruturantes para a Paraíba e o Nordeste, caso seja eleito senador.
Com formação técnica e 40 anos de experiência, Azevêdo destacou seu trabalho à frente do Consórcio Nordeste, que presidiu durante a pandemia de covid-19 e serviu como modelo de união entre estados. ‘O Consórcio Nordeste abre portas e é um experimento transformador, atraindo indústrias e investimentos de peso’, disse. A experiência executiva, segundo ele, pode ser levada ao Senado para qualificar o debate e mobilizar líderes em torno de uma nova dinâmica legislativa.
O debate sobre as emendas parlamentares ganha força em ano eleitoral e mexe com interesses consolidados. Ao tocar no assunto, João Azevêdo mostra disposição para enfrentar o que muitos chamam de ‘tabu’ político. Para os moradores de Salgado de São Félix e região, a proposta de maior transparência e foco em projetos de grande porte representa a possibilidade de ver os recursos públicos aplicados de forma mais justa e eficiente. Resta saber se o discurso se transformará em ação no Congresso Nacional.
