Disputas entre grupos e falta de conciliação no PT podem inviabilizar presença do presidente no estado, aponta análise
A presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na Paraíba durante a campanha eleitoral tornou-se uma incógnita, conforme informações do portal Nonato Guedes, adaptadas pela Rádio Salgado FM. As confusões entre grupos políticos locais que disputam o palanque do presidente podem acabar inviabilizando a visita, pelo menos no primeiro turno. A hipótese foi admitida por um interlocutor próximo ao PT nacional, que atribuiu a incerteza à inabilidade das direções nacional e estadual do Partido dos Trabalhadores em conciliar interesses divergentes.
O caso da Paraíba tem preocupado Brasília. O presidente nacional do PT, Edinho Silva, esteve mais de uma vez no estado para dialogar com lideranças. Em sua última passagem por João Pessoa, ele reafirmou o apoio do partido à pré-candidatura do governador Lucas Ribeiro (PP) à reeleição, mas não garantiu que Lula estará no palanque do governador. Isso gerou apreensão entre aliados. Para os moradores de Salgado de São Félix e região, a indefinição sobre a visita do presidente pode influenciar o cenário eleitoral local, já que lideranças regionais acompanham de perto as articulações políticas na capital.
Edinho Silva também anunciou que a cúpula do PT monitora com atenção os votos de parlamentares paraibanos em matérias de interesse do governo na Câmara e no Senado. A declaração foi interpretada como uma referência à senadora Daniella Ribeiro (PP), mãe do governador Lucas, que se omitiu na votação sobre a indicação do advogado Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal, e ao deputado federal Aguinaldo Ribeiro (PP), irmão de Daniella, que votou contra o veto de Lula ao projeto de lei da dosimetria de penas para os atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023. Em ambas as votações, o governo saiu derrotado, o que desencadeou uma ‘caça às bruxas’ por parte do PT. O ex-governador Ricardo Coutinho (PT) criticou, em plenária, políticos que na Paraíba dizem estar com Lula mas em Brasília votam contra os interesses do governo.
A falta de maioria confiável no Congresso coloca o governo Lula frequentemente em situação delicada. O PT tenta terceirizar a partidos aliados a responsabilidade por derrotas, mas esses partidos, de centro ou direita, ocupam ministérios e nem sempre demonstram o ‘Índice de Governismo’ desejado. A senadora Daniella, por exemplo, tem ligações com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que foi contrariado pela indicação de Jorge Messias. A relação entre Lula e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), é marcada por ‘morde e assopra’, com elogios e críticas alternados.
O cenário se agrava com a proximidade da eleição presidencial e a emergência da pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL), que já dá trabalho a Lula em algumas regiões, com percentuais de vitória ou empate. Na Paraíba, o PT tem valorizado o prestígio do presidente e sua capacidade de transferência de votos, mas o histórico recente mostra que nem sempre isso ocorre. Em 2022, Lula apoiou o senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB) no primeiro turno, mas ele não avançou ao segundo. O PT também é criticado por priorizar a reeleição de Lula em detrimento das disputas regionais.
Apesar das dificuldades, quem não está com Bolsonaro aproxima-se de Lula. É o caso de pelo menos três pré-candidatos ao Senado na Paraíba: o ex-governador João Azevêdo (PSB), o senador Veneziano Vital (MDB) e o ex-prefeito de Patos, Nabor Wanderley (Republicanos), pai de Hugo Motta. Como Lula administrará essa logística, permanece uma incógnita. Para os cidadãos de Salgado de São Félix, o desfecho dessas articulações pode determinar o tom da campanha na região, especialmente se o presidente não vier ao estado, enfraquecendo as candidaturas que contam com seu apoio. A Rádio Salgado FM continuará acompanhando os desdobramentos.
