Conheça os bastidores da rescisão contratual de 1933 e o impacto no fornecimento de luz na capital paraibana.
Segundo informações do portal Parahyba e suas histórias, de Sérgio Botelho, adaptadas pela Rádio Salgado FM, a instalação da energia elétrica em João Pessoa ocorreu em 14 de março de 1912, durante o governo de João Lopes Machado. A empresa inicialmente chamava-se Empresa de Iluminação e Viação Elétrica da Capital, depois transformada em Empresa Tração, Luz e Força (ETLF), uma sociedade anônima sediada em São Paulo.
O prédio que abrigou a empresa, localizado na antiga Cruz do Peixe, serviu originalmente como garagem para bondes de tração animal e, a partir de 1914, para bondes elétricos. Dali também partia a Maxabomba, uma locomotiva rudimentar a óleo que transportava passageiros até Tambauzinho e Tambaú, sujando todos com fumaça e barulho. Hoje, o edifício revitalizado é a Usina Cultural Energisa, um espaço de memória e cultura.
Desde o início, o fornecimento de luz enfrentou problemas. A demanda crescia e a empresa não conseguia atender satisfatoriamente. Ampliações foram feitas, mas as reclamações se acumulavam: quedas constantes, bairros inteiros sem serviço e preços elevados. Na década de 1930, o descontentamento popular tornou-se insustentável para o governo, que via no desgaste uma ameaça política.
O desfecho veio em 27 de março de 1933, com a rescisão do contrato entre o governo estadual e a ETLF. Obras, materiais e serviços passaram para as mãos do poder público, conforme registra o Memória João Pessoa (Departamento de Arquitetura e Urbanismo da UFPB). Essa estatização marcou uma nova fase na gestão da eletricidade na capital, embora os desafios não tenham terminado ali – como o próprio artigo de Botelho indica, “isso é uma outra história”.
Para os moradores de Salgado de São Félix e região, compreender essa trajetória é fundamental. O desenvolvimento da infraestrutura elétrica na Paraíba esteve sempre interligado: as dificuldades enfrentadas em João Pessoa refletiam a precariedade do sistema em todo o estado. A estatização de 1933 abriu caminho para investimentos públicos que, décadas depois, beneficiariam também o interior. Hoje, a energia chega a praticamente todos os lares, mas os desafios de qualidade e custo ainda ecoam aquelas antigas reclamações.
A história da energia elétrica na capital paraibana é um capítulo importante da memória regional. Conhecer o passado ajuda a entender o presente e a cobrar melhorias no futuro. Fique ligado na Rádio Salgado FM para mais conteúdos que conectam a história e o cotidiano da nossa gente.
