Em abril, mês de conscientização sobre a doença, neurologista explica os sinais iniciais e a importância do diagnóstico precoce para os pacientes de Salgado de São Félix e região.

Segundo informações adaptadas pela Rádio Salgado FM, abril é marcado como o mês de conscientização sobre a Doença de Parkinson, uma condição neurológica que afeta cerca de 200 mil pessoas no Brasil, de acordo com o Ministério da Saúde. No mundo, os números ultrapassam 10 milhões. Embora o tremor seja o sintoma mais conhecido pela população, a realidade da doença é muito mais complexa e seus primeiros sinais podem ser sutis, passando despercebidos ou sendo confundidos com o envelhecimento natural. Para os moradores de Salgado de São Félix e cidades vizinhas, entender esses sinais é o primeiro passo para buscar ajuda especializada a tempo.

O neurologista e professor Rodrigo Marmo, da Afya Paraíba, explica que a essência do Parkinson está na degeneração de neurônios produtores de dopamina, um neurotransmissor crucial. ‘A doença de Parkinson é uma condição neurológica crônica, progressiva e multifatorial’, destaca o especialista. ‘Essa perda de dopamina compromete não apenas o controle motor, mas também funções cognitivas, emocionais e autonômicas. Por isso, estamos falando de uma doença sistêmica, que vai muito além dos tremores’, completa. Essa visão amplia a compreensão sobre o impacto da doença na vida do paciente, que não se restringe às limitações de movimento.

Os sintomas motores clássicos incluem a lentidão para realizar movimentos (bradicinesia), a rigidez muscular, os tremores em repouso, a diminuição do balanço dos braços ao caminhar e até alterações na escrita, que fica menor e mais apertada. No entanto, Marmo faz um alerta crucial: os chamados sintomas não motores frequentemente surgem anos antes, servindo como um sinal de alarme precoce. Entre eles estão a perda ou redução do olfato, a constipação intestinal frequente, distúrbios do sono (como agir fisicamente durante os sonhos), ansiedade, depressão e uma fadiga persistente. ‘Muitos pacientes passam anos apresentando sintomas não motores sem associá-los ao Parkinson. Quando os sinais motores aparecem, a doença já está em estágio mais avançado’, revela o neurologista. Essa lacuna entre o início dos sintomas e o diagnóstico é um dos maiores desafios no manejo da doença.

Para a comunidade de Salgado de São Félix e região, onde o acesso a serviços de saúde especializados pode exigir deslocamento, a informação se torna uma ferramenta de empoderamento. Reconhecer uma constipação teimosa ou uma mudança no olfato como possíveis indicativos neurológicos, e não apenas como problemas isolados, pode acelerar a busca por uma consulta com um clínico geral ou, se possível, um neurologista. A porta de entrada no Sistema Único de Saúde (SUS) é a Unidade Básica de Saúde (UBS), onde o médico da família pode fazer uma avaliação inicial e encaminhar o paciente para os centros de referência. O diagnóstico do Parkinson é essencialmente clínico, baseado na avaliação de um profissional, já que não existe um exame de imagem ou laboratorial definitivo para confirmá-lo com 100% de certeza.

O diagnóstico precoce é apontado pelos médicos como um verdadeiro ‘divisor de águas’ na vida do paciente. Quanto mais cedo for iniciado o tratamento, melhores são as chances de controlar os sintomas, retardar a progressão da doença e, acima de tudo, preservar a autonomia e a qualidade de vida da pessoa por muitos anos. O tratamento é multimodal, ou seja, vai além da medicação. Envolve uma combinação de fármacos que repõem ou mimetizam a dopamina no cérebro com terapias de suporte essenciais. A fisioterapia ajuda a manter a mobilidade, o equilíbrio e a força muscular. A fonoaudiologia trabalha possíveis alterações na voz e na deglutição. E o acompanhamento psicológico é fundamental para lidar com os aspectos emocionais que acompanham uma doença crônica.

Além do tratamento formal, os hábitos de vida têm um papel comprovadamente importante. A prática regular de atividade física, adaptada às condições de cada um, é um pilar não farmacológico no controle dos sintomas. Caminhadas, alongamentos, pilates, hidroginástica e outras modalidades podem contribuir significativamente para o bem-estar. A nutrição balanceada, com atenção especial para o combate à constipação intestinal, também é parte do cuidado integral. Em Salgado de São Félix, a adesão a grupos de caminhada ou a utilização dos espaços públicos para exercícios pode ser uma forma prática e acessível de incorporar essa recomendação médica à rotina.

Embora a Doença de Parkinson ainda não tenha cura, a mensagem final é de esperança e proatividade. A medicina avançou muito no desenvolvimento de tratamentos que permitem uma vida longa e com qualidade. A chave está na conscientização. Compartilhar informações precisas, como as trazidas pelo neurologista Rodrigo Marmo durante este mês de abril, ajuda a desfazer mitos e a alertar a população para os sinais sutis. Se você ou alguém próximo na nossa região apresenta alguns dos sintomas descritos, especialmente a combinação de mais de um deles, não hesite em procurar orientação médica. Na rede pública de saúde, o caminho começa na UBS. A Rádio Salgado FM, comprometida com a saúde e o bem-estar da sua comunidade, reforça a importância do diálogo aberto sobre saúde e do acesso à informação de qualidade como ferramentas para uma vida mais saudável e consciente.

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