Fundador da Braiscompany se pronuncia após três anos; empresário promete novas lives para esclarecer situação dos investidores.
O fundador da Braiscompany, Antonio Neto Ais, afirmou que deixou o Brasil após sua família receber ameaças de morte. A declaração foi feita durante uma transmissão ao vivo no Instagram, nesta terça-feira (5), após três anos sem se pronunciar publicamente. Segundo informações divulgadas pelo próprio Ais em live, adaptadas pela Rádio Salgado FM, o empresário disse que o silêncio nas redes sociais, mesmo sem impedimento judicial, também foi motivado por questões de segurança. “A minha família foi diretamente atingida com tudo que aconteceu”, afirmou.
Atualmente em prisão domiciliar na Argentina, Ais declarou que todos os recursos — tanto da Braiscompany quanto pessoais — estão bloqueados e à disposição da Justiça. Segundo ele, há expectativa de prestação de contas e eventual restituição aos investidores prejudicados. “Meu compromisso hoje é trabalhar com meu jurídico para que essa verdade venha à tona, para que a perícia seja feita, para que a prestação de contas seja clara e para cada um receba o que é devido”, disse durante a live.
Ais também se declarou inocente e afirmou confiar na atuação da defesa. “Durmo em paz, com a consciência limpa”, afirmou. O empresário destacou ainda que “sabe da dor” e também passou isso com sua família. Ele prometeu outras lives para mais informações sobre o caso, o que pode trazer novos elementos para os milhares de investidores que aguardam uma solução.
Para os moradores de Salgado de São Félix e região que aplicaram recursos na Braiscompany — muitas vezes atraídos por promessas de altos rendimentos com criptomoedas —, a live de Ais representa um raro momento de comunicação direta com um dos principais responsáveis pelo esquema. Embora o empresário esteja em prisão domiciliar na Argentina, sua fala pode influenciar o andamento das ações judiciais e a expectativa de reaver valores bloqueados.
O Caso Braiscompany: A Braiscompany foi criada com a proposta de gerir ativos digitais e oferecer soluções baseadas em tecnologia blockchain. Investidores aplicavam recursos que eram convertidos em criptoativos, com promessa de retorno financeiro. Com a interrupção dos pagamentos, clientes passaram a cobrar judicialmente os responsáveis. Em fevereiro de 2024, a Justiça Federal condenou Antonio Inácio da Silva Neto e Fabrícia Farias a penas que somam 149 anos de prisão. Ais foi condenado a 88 anos e 7 meses em regime fechado, enquanto Fabrícia recebeu pena de 61 anos e 11 meses, também em regime fechado. Outros oito réus foram condenados por crimes financeiros. A decisão ainda determinou o pagamento de R$ 277 milhões por danos patrimoniais e R$ 100 milhões por danos coletivos.
Operação Halving: A investigação teve como marco a Operação Halving, deflagrada em 16 de fevereiro de 2023 pela Polícia Federal em conjunto com o Ministério Público Federal. A ação teve como objetivo combater crimes contra o sistema financeiro e o mercado de capitais. Segundo a Polícia Federal, a empresa movimentou cerca de R$ 1,5 bilhão em criptoativos ao longo de quatro anos. À época, foram cumpridos mandados de busca e apreensão em João Pessoa, Campina Grande e também em cidades de São Paulo. A Braiscompany chegou a ter forte atuação no Nordeste, incluindo a Paraíba, e muitos investidores da região, inclusive de Salgado de São Félix, foram prejudicados.
Diante da nova manifestação de Ais, a expectativa é de que a defesa apresente novos documentos e que a perícia técnica avance para que a prestação de contas seja concluída. A Rádio Salgado FM seguirá acompanhando o desdobramento do caso e trará informações atualizadas sobre os direitos dos investidores locais. Enquanto isso, especialistas orientam que os prejudicados busquem orientação jurídica e acompanhem os canais oficiais da Justiça Federal para saber sobre eventuais restituições.
