Fundador da Braiscompany, em prisão domiciliar na Argentina, afirma que família foi alvo de ameaças de morte e que todos os recursos estão à disposição da Justiça

Após três anos em silêncio, o fundador da Braiscompany, Antonio Neto Ais, voltou a se pronunciar publicamente. Em uma live realizada no Instagram na noite desta terça-feira (5), afirmou que deixou o Brasil porque sua família recebeu ameaças de morte. Atualmente em prisão domiciliar na Argentina, ele falou pela primeira vez desde o início das investigações.

Segundo informações do portal ClickPB, adaptadas pela Rádio Salgado FM, Ais justificou o longo período de silêncio — mesmo sem impedimento judicial — como uma forma de proteger os familiares. “A minha família foi diretamente atingida com tudo que aconteceu”, declarou.

Em relação ao dinheiro dos investidores da Braiscompany, o empresário afirmou que todos os recursos da empresa e os pessoais estão bloqueados e à disposição da Justiça. Ele disse que aguarda a prestação de contas e o momento em que os valores serão restituídos às pessoas afetadas, entre elas muitos moradores de Salgado de São Félix e região que investiram na promessa de altos rendimentos com criptoativos.

Antonio Ais se declarou inocente e disse confiar no trabalho dos advogados. “Durmo em paz, com a consciência limpa”, finalizou.

O caso Braiscompany

A Braiscompany foi criada para gerir ativos digitais e oferecer soluções em tecnologia blockchain. Os investidores aplicavam dinheiro que era convertido em ativos digitais. Com a falta de pagamento dos retornos prometidos, os clientes começaram a cobrar e a judicializar a cobrança contra o casal fundador da empresa.

Condenação do ‘casal Braiscompany’

Em fevereiro de 2024, a Justiça Federal, em decisão do juiz Vinícius Costa Vidor, da 4ª Vara Federal em Campina Grande, condenou Antônio Inácio da Silva Neto e Fabrícia Farias a um total de 149 anos de prisão. Antônio Ais foi condenado a 88 anos e 7 meses de prisão, em regime fechado. Fabrícia Farias foi condenada a 61 anos e 11 meses, também em regime fechado. A sentença ainda condenou outros oito réus por crimes financeiros e determinou uma reparação de R$ 277 milhões em danos patrimoniais e R$ 100 milhões em danos coletivos.

Operação Halving

A Operação Halving foi deflagrada em 16 de fevereiro de 2023 pela Polícia Federal em conjunto com o Ministério Público Federal (MPF). O objetivo era combater crimes contra o sistema financeiro e o mercado de capitais supostamente cometidos pelos sócios da Braiscompany. Segundo a PF, a empresa movimentou nos últimos quatro anos valores equivalentes a aproximadamente R$ 1,5 bilhão em criptoativos em contas vinculadas aos suspeitos. Na ocasião, foram cumpridos 8 mandados de busca e apreensão em João Pessoa, Campina Grande, na Paraíba, e em São Paulo.

Para os investidores de Salgado de São Félix e cidades vizinhas que aplicaram recursos na Braiscompany, a espera pela restituição continua. A defesa de Antonio Neto Ais afirma que aguarda a definição judicial sobre a devolução dos valores. A Rádio Salgado FM seguirá acompanhando o desenrolar do caso.

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