Levantamento da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro revela que 78% dos municípios paraibanos não conseguem se sustentar com arrecadação própria. Especialistas alertam para dependência de repasses e necessidade de fortalecimento econômico local.
Um levantamento realizado pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (FIRJAN) colocou a Paraíba na 3ª posição no ranking nacional de estados com maior número de cidades consideradas “insustentáveis”. De acordo com os dados, 174 dos 223 municípios paraibanos estão nessa condição, o que representa 78% do total. O estado fica atrás apenas do Piauí (83%) e do Maranhão (82%), e à frente de Alagoas (72%) e Rio Grande do Norte (65%). As informações são do Portal Polêmica Paraíba, adaptadas pela Rádio Salgado FM.
O estudo classifica como “insustentáveis” os municípios que não conseguem gerar receita suficiente para custear a própria estrutura administrativa, dependendo de transferências externas para manter serviços básicos. Esse cenário é medido pelo Índice Firjan de Gestão Fiscal (IFGF), que varia de 0 a 1. Quanto mais próximo de 1, melhor a saúde fiscal. O índice é dividido em quatro faixas: crítica (0 a 0,4), difícil (0,4 a 0,6), boa (0,6 a 0,8) e excelente (acima de 0,8).
Na Paraíba, a maioria dos municípios se enquadra nas faixas crítica ou difícil. A posição do estado está diretamente relacionada à baixa capacidade de arrecadação própria e à forte dependência de repasses da União, especialmente do Fundo de Participação dos Municípios (FPM). Sem esses recursos, grande parte das prefeituras teria dificuldades para manter despesas básicas, como folha de pagamento de servidores e funcionamento do Legislativo municipal.
Em nível nacional, o levantamento da FIRJAN aponta que 25% das cidades brasileiras não geram riqueza suficiente para custear a própria existência. Além disso, 1.282 prefeituras obtiveram nota zero no IFGF, indicando ausência de autonomia fiscal. Ainda segundo o estudo, 52,8% dos municípios do país estão em situação crítica. Os dados evidenciam um cenário de fragilidade fiscal que impacta diretamente a capacidade de investimento das cidades e a oferta de serviços públicos à população.
Para os moradores de Salgado de São Félix e região, essa realidade pode se refletir na qualidade de serviços essenciais como saúde, educação e infraestrutura. Quando um município depende excessivamente de repasses externos, fica mais vulnerável a cortes orçamentários federais e a oscilações econômicas. Especialistas apontam que o enfrentamento desse quadro passa pelo fortalecimento da economia local, ampliação da base de arrecadação (como incentivo ao comércio e à agricultura familiar) e melhoria na gestão dos recursos públicos, com transparência e eficiência.
A Rádio Salgado FM continuará acompanhando o tema e trazendo informações relevantes para que os cidadãos entendam como a gestão fiscal impacta o dia a dia da cidade. É fundamental que a população participe dos debates sobre orçamento público e cobre dos gestores ações que promovam a sustentabilidade financeira dos municípios.
Fonte: Portal Polêmica Paraíba, adaptado pela Rádio Salgado FM.
